quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O MUNDO ESTÁ VIRANDO...

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ENTRECAMPOS

Porque não se usa Entrecampos para habitação?

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Lisboa tem uma zona enorme em Entrecampos onde poderia aumentar imenso a oferta de habitação, aliviando a pressão sobre os preços. Como se explica que a CML só preveja 30% do edificado para habitação?

A saga inenarrável dos terrenos da Feira Popular, fechada em 2003, há 15 anos (!) e ainda não reaberta em lado nenhum, parece estar a chegar ao fim, mas o desfecho que se prepara é um erro gigantesco: 70% da área edificada será destinada a comércio e escritórios e apenas 30% a habitação.
A zona de Entrecampos já está hoje saturada de trânsito e colocar tanto escritório ali vai conduzir a ainda mais automóveis a entrar na área, tornando-a infernal. Se não se cria habitação na cidade, isto é um estímulo a mais pessoas viverem fora de Lisboa e mais carros a entrar na capital para o trabalho.
Em contrapartida, se a distribuição de áreas fosse a inversa, 70% para habitação e o resto para as restantes valências, mais pessoas poderiam viver na cidade e aproveitar os excelentes (em número que não em qualidade) transportes públicos que servem a zona.
Isto passa-se na mesma cidade onde há fortes queixas de falta de habitação, que está a fazer subir imenso os preços dos imóveis?
Isto passa-se na mesma cidade que suscitou a proposta (disparatada) da “taxa Robles” contra a “especulação”?
Isto passa-se na mesma cidade em que há queixas (legítimas) de que o aumento do alojamento local está a gerar escassez de habitação?
O que é que a esquerda tem a dizer sobre este absurdo? Vai ficar calada a ver esta oportunidade de ouro de aumentar o número de habitações em Lisboa ser escandalosamente desaproveitada?
E os “bem-pensantes” comentadores não têm nada a dizer? Não se indignam com este absurdo que está a ser perpetrado à vista de todos?
O “país” da comunicação que vive focado em “Lesboa” não tem nada a dizer sobre este assunto?
Muito próximo dali, estava o mercado abastecedor de Lisboa, na Av. das Forças Armadas, fechado em 2000 (ainda há mais tempo que a Feira Popular!)  e deslocalizado para o MARL de Loures. Muitos dos terrenos onde estava o anterior mercado ainda estão hoje por urbanizar, em frente do ISCTE e da Faculdade de Farmácia e pertíssimo de muitas outras faculdades da Universidade de Lisboa.
Como explicar este absurdo? Porque é que aquilo não está hoje cheio de residências universitárias?
Porque é que a cidade de Lisboa é tão mal gerida? Porque é que os problemas ficam um tempo louco à espera de soluções?
O que é que estão à espera para criar o “task force” para a habitação que sugeri no artigo da semana passada?

VOTAR NESTES PARTIDOS...NEM PENSAR!

O Montepio ainda recentemente levou uma ajuda do Centeno de mais de 800 milhões de euros. Uma instituição mal gerida, cheias de prejuízos, onde os gestores, mesmo nos anos da troika com os cortes e os despedimentos gerais se pagavam salários de país muito muito rico sem crise, e reformas a condizer, depois de quatro anos de trabalho, por exemplo. E quem são os gestores? Padres, políticos e seus conjuges e quejandos. E são responsabilizados pelos prejuízos? Não. São premiados pelo Centeno e pelo Costa que entretanto roubam os anos de trabalho e dinheiro dos outros que trabalham. Este país é governado por políticos e gestores imorais, nunca responsabilidados pelas incompetência, pelo tráfico de influências, pelo peculato, pela incúria, pela destruição da economia com a consequente destruição de vidas e pelo mau trabalho em geral com péssimos resultados, antes premiados com o dinheiro dos que trabalham sem prémios, sem subvenções, sem esquemas manhosos. 

É bom lembrar que o país não é dos políticos imorais nem dos bandidos da banca. O país é nosso e os políticos apenas nos representam. E se quisermos acabamos com esta pouca-vergonha. É só deixar de votar nesta gente. Nem um único voto nestes partidos que estão na AR a decidir contra nós todos para beneficiarem-se a si e mais uns poucos. Nem um. Espero que surjam partidos com outras pessoas e outras ideias em que possamos apostar para nos tirarem deste marasmo imoral.

Contas feitas aos últimos três anos: entre 2015 e 2017, a mutualista pagou só de salários (brutos) aos cinco executivos mais de seis milhões de euros. E isto num período em que revelou elevados prejuízos, que chegaram em 2015 a cifrar-se em 393 milhões de euros. Depois de, em 2017, a Associação ter recebido do Estado um crédito fiscal (impostos diferidos) de 810 milhões de euros, o que permitiu a Tomás Correia fechar o exercício de 2016 com lucros de 587 milhões de euros. Mas com contrapartidas: perder a condição de IPSS e com a obrigação de, no futuro, pagar IRC sobre receitas.





sexta-feira, 14 de setembro de 2018

5 DE OUTUBRO

A imagem pode conter: céu, árvore, planta, ar livre e natureza

SOU REFORMADO...

As pessoas que ainda trabalham, perguntam-me muitas vezes o que é que eu faço todos os dias, agora que estou reformado ...

Bem, por exemplo, outro dia eu fui  tratar de um assunto no meu banco, não demorei muito, foi uma questão de cinco minutos.

Quando saí, um Polícia estava preenchendo uma multa por mau estacionamento.

Rapidamente aproximei-me dele e disse:

- Vá lá, senhor guarda, eu não demorei mais que cinco minutos...! Deus
irá recompensá-lo se tiver um gesto simpático para com um reformado...

Ele ignorou-me completamente e continuou a preencher a multa,


Aí eu  passei-me, e disse-lhe que só tinha demorado 1 minuto, blá blá blá...

Ele olhou-me friamente e começou a preencher outra infracção alegando
que também não tinha a vinheta comprovativa do seguro.

Então levantei a voz para lhe dizer que já tinha percebido que estava a lidar com um polícia idiota e mal formado, e que nem compreendia como é que ele tinha sido admitido na polícia de trânsito...etc, etc

Ele terminou de autuar pela segunda infracção, colocando-a no
para-brisas, e começou com um terceiro preenchimento.

Eu já o estava a chatear há mais de 20 minutos, chamando-o de tudo.

Ele, a cada "mimo", respondia com uma nova infracção e consequente
preenchimento da respectiva multa acompanhada de um sorriso que
refletia uma satisfação de vingança...

Depois da décima violação... eu disse-lhe:

- Tenho pena senhor guarda, mas tenho que me ir embora... vem ali o
meu Autocarro!

Desde que me reformei, aproveito todas as oportunidades para me divertir!


TENHO TEMPO...



Henrique  Pontes Lopes

MENTIRA...MENTIRA...MENTIRA...

Assunto: ESCRITA MENTIROSA
 

O assunto é sobre o DR. ANTÓNIO LOBO ANTUNES, escritor, médico, ex-Alferes Médico, em Gago Coutinho, Angola e que se lembrou de escrever umas "coisas" sobre a guerra, onde esteve, no seu livro "UMA LONGA VIAGEM COM ANTÓNIO LOBO ANTUNES".

Li o livro, e, apesar de eu ter estado na Guiné, verifiquei algumas inverdades por não ser possível o que escreveu, pois, mesmo para quem não esteve na Guerra Colonial concluiria por alguma desconformidade de comportamentos.

Sei que alguns dos meus amigos a quem destino este texto estiveram em Angola, poderão, então, confrontar o exagero com a realidade.

Abraços / M. Frazão

PS. O texto que segue não é da minha autoria.





 

António Lobo Antunes e a escrita mentirosa
Custa-me encontrar um título apropriado à escrita de António Lobo Antunes que, podendo ganhar dinheiro com a profissão de médico, prefere a escrita para envergonhar os portugueses. Talvez este início de crónica escandalize quem costume venerá-lo. Eu, por maior benevolência que para com ele queira usar não posso, nem devo. Por várias razões, algumas das quais vou enunciar. Porque não gosto de atirar a pedra e esconder a mão.
Este senhor foi mobilizado como médico, para a guerra do Ultramar. Nunca terá sabido manobrar uma G-3 ou mesmo uma Mauser. Certamente, nem sequer chegou a conhecer a estrutura de um pelotão, de uma companhia, de um batalhão. Não era operacional, mas bota-se a falar como quem pragueja. Refiro-me ao seu mais recente livro "Uma longa viagem com António Lobo Antunes".
João Céu e Silva pode reclamar alguns méritos deste tipo de escrita. Foi o entrevistador e a forma como transpõe as conversas confere-lhe alguma energia e vontade de saber até onde o entrevistado é capaz de levar o leitor. Mas, as ideias, as frases, os palavrões, os impropérios, as aldrabices - sim as aldrabices - são de Lobo Antunes. Vejamos o que ele se lembrou de vomitar na página 391:
 «Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».
Penso que isto que deixo transcrito da página 391 do seu referido livro, se vivêssemos num país civilizado e culto, com valores básicos a uma sociedade de mente sã e de justiça firme, bastaria para internar este «escriba», porque todo o livro é uma humilhação sistemática e nauseabunda, aos Combatentes Portugueses que prestaram serviço em qualquer palco de operações, além fronteiras.
É um severo ataque à Instituição Militar e uma infâmia aos comandantes de qualquer ramo das Forças Armadas, de qualquer estrutura hierárquica e de qualquer frente de combate. Isto que Lobo Antunes escreve e lhe permite arrecadar «350 contos por mês da editora» (p. 330), deveria ser motivo de uma averiguação pelo Ministério Público. Porque em democracia, não deve poder dizer-se tudo, só porque há liberdade para isso. Essa liberdade que Lobo Antunes usou para enriquecer à custa o marketing que os mass media repercutem, sem remoques, porque se trata de um médico com irmãos influentes na política, ofendeu um milhão de Combatentes, o Ministério da Defesa, uma juventude desprevenida, porque vai ler estes arrotos literários, na convicção de que foi assim que fez a Guerra, entre 1961 e 1974. E ofende, sobretudo, a alma da Portugalidade porque a «aldeia global» a que pertencemos vai pensar que isto se passou na vida real nos finais do século XX.
    Fui combatente, em Angola, uns anos antes de Lobo Antunes. Também, como ele fui alferes miliciano (ranger). Estive numa zona muito mais perigosa do que ele: nos Dembos, com operações no Zemba, na Maria Fernanda, em Nuambuangongo, na Mata Sanga, na Pedra Verde, enfim, no coração da guerra. Nunca um militar, qualquer que fosse a sua graduação ou especialidade, atirou a matar. Essa linguagem dos pontos é pura ficção. E essa de fazer cordões com orelhas de preto, nem ao diabo lembraria. E pior do que tudo é a maldade com que escarrou no seu próprio batalhão que tinha seiscentos militares e registou centena e meia de baixas...Como se isto fosse crível!
Se o seu comandante que na altura deveria ser tenente-coronel, mais o segundo comandante, os capitães, os alferes, os sargentos e os soldados em geral, lerem estas aldrabices e não exigirem uma explicação pública, ficarão na história da guerra do Ultramar como protagonistas de um filme que de realidade não teve ponta por onde se lhe pegue.
Em primeiro lugar esta mentira pública atinge esses heróicos combatentes, tão sérios como todos os outros. Porque não há memória de um único Batalhão ter um décimo das baixas que Lobo Antunes atribui àquele de que ele próprio fez parte. É preciso ter lata para fazer afirmações tão graves sobre profissionais que para serem diferentes deste relatório patológico, basta terem a seu lado a Bandeira Portuguesa e terem jurado servi-la e servir a Pátria com honra, dignidade e humanismo.
Não conheço nenhum desses seiscentos militares que acolheram António Lobo Antunes no seu seio e até trataram bem a sua mulher que lhes fez companhia, em pleno mato, segundo escreve nas páginas 249 e 250. Mereciam eles outro respeito e outros elogios. Porque insultos destes ouvimos e lemos muitos, no tempo do PREC. Mas falsidades tão obscenas, nem sequer foram ditas por Otelo Saraiva de Carvalho, quando mandou prender inocentes, com mandados de captura, em branco e até quando ameaçou meter-me e a tantos, no Campo Pequeno para a matança da Páscoa. Estas enormidades não matam o corpo, mas ferem de morte a alma da nossa Epopeia Nacional.
Barroso da Fonte
PS de Cor. Manuel Bernardo
Não li o livro em causa. No entanto, dada a consideração que me merece este Combatente, fundador da Associação dos Combatentes do Ultramar, ousei realçar algumas frases e difundir para maior audiência na net, afim de tentar recolher opiniões de alguns dos 600 militares que este escritor refere… Assim, os “negritos” foram por mim aplicados e são da minha responsabilidade.
Do Portugal Club:
Não li, nem vou perder tempo em ler nenhum livro de autoria desse "cobardolas\traidor" de nome "António Lobo Antunes"; a entrevista dele á RTP por ocasião do lançamento do 1º livro dele, meu deu ansias de vómito. Eu Lutei por... , e doei meu suor a minha Pátria Portugal com muita satisfação e orgulho, . Escutar ou ler algo que venha de antiportugueses, a mim me dá nojo. Casimiro
AO QUE CHEGOU A LIBERDADE DE EXPRESSÃO !!!!!
Recebi novamente este aviso sobre a escrita mentirosa - para que não esqueça
Outro "artista encartado" que, graças às sortidas protecções e apadrinhamentos de que goza (ao mais alto nível!!!), se permite manchar a honra do País, dos Antigos Combatentes - de quem muito bem lhe dá na real gana
Não haver um coração bondoso e pio que lhe possa dar umas merecidas galhetas - que tal um dos manos, dos bem aconchegados ao poder?!


CARLOS ALBERTO ÉVORA MAIA DE LOUREIRO
Coronel de Cavalaria (Ref)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

FALA O MISSIONÁRIO FREI EUGÉNIO

Partilho este testemunho deste missionário em Angola Eugénio, frei
Carta de um sacerdote católico para o NEW YORK TIMES
Caro irmão e irmã jornalista:
Sou um simples sacerdote católico.
Estou feliz e orgulhoso da minha vocação.
Há vinte anos que vivo em Angola como missionário.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema dos sacerdotes pedófilos, com investigações de forma mórbida sobre a vida de alguns sacerdotes.
Falam de um de uma cidade nos Estados Unidos dos anos '70, de outro na Austrália dos anos '80, e seguida de outros casos recentes... 
Certamente isto deve ser condenado!
Veem-se alguns artigos de jornal equilibrados, mas também outros cheios de preconceitos e até de ódio.
O facto que pessoas, que deveriam ser manifestação do amor de Deus, sejam como um punhal na vida de inocentes, provoca em mim uma imensa dor. 
Não existem palavras para justificar tais ações. E não há dúvida que a Igreja não pode deixar de estar ao lado dos mais fracos e dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e a prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Todavia, cria curiosidade a desinformação e o desinteresse para milhares e milharesde sacerdotes que se gastam para milhões de crianças, para muitíssimos adolescentes e para os mais desvantajosos em todo o mundo! 
Considero que, ao vosso meio de informação não interesse saber que, eu em 2002, passando por zonas cheias de minas, tenha devido transferir muitas crianças desnutridas deCangumbe para Lwena (em Angola), porque nem o governo se importava, nem as ONG's estavam autorizadas. E penso que também não vos importa que eu tenha tido de sepultar dezenas de criancinhas, mortas na tentativa de fugir das zonas de guerra ou procurando regressar, nem que salvamos a vida a milhares de pessoas no México graças ao único posto médico em 90.000 Km2, e graças também à distribuição de alimentos e sementes. 
Não vos interessa também saber que nos últimos dez anos demos a oportunidade de receber educação e instrução a mais de 110.000 crianças...
Não tem uma ressonância mediática o facto que, com outros sacerdotes, eu tive de fazer frente à crise humanitária de quase 15.000 pessoas guarnições da guerrilha, após a sua rendição, porque não chegavam alimentos nem do Governo, nem da ONU.
Nāo faz noticia que um sacerdote de 75 anos, Padre Roberto, todas as noites percorra a cidade de Luandae cuide dos meninos da rua, os leve para uma casa de acolhimento na tentativa de os desintoxicar da gasolina e que às centenas sejam alfabetizadas. 
Não faz notícia que outros sacerdotes, como o Padre Stefano, se ocupem em acolher e dar proteção a crianças maltratadas e até violadas.
E nāo é de vosso interesse saber que Frade Maiato, não obstante os seus 80 anos, vá de casa em casa confortando pessoas doentes e sem esperança.
Não faz notícia que mais de 60.000, entre os 400.000 sacerdotes e religiosos, tenham deixado a própria pátria e a própria família para servir os seus irmãos num leprosário, nos hospitais, nos campos de refugiados, nos institutos para crianças acusadas de feitiçaria ou órfãs de pais mortos por SIDA, nas escolas para os mais pobres, nos centros de formação profissional, nos centros de assistência aos seropositivos... ou, sobretudo, nas paróquias e nas missões, encorajando as pessoas a viver e a amar.
Não faz notícia que o meu amigo, Padre Marco Aurelio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola os tenhaconduzido de Kalulo até Dondo e no caminho de regresso à sua missão foi cravado de balas; nāo interessa que frade Francesco e cinco  catequistas, para ir ajudar nas zonas rurais mais isoladas, tenham morrido na estrada num acidente; não importa a ninguém que dezenas de missionários em Angola sejam mortos por falta de assistência sanitária, por uma simples malária; que outros tenham morrido por causa de uma mina ao ir visitar a sua gente. No cemitério de  Kalulo encontramos os túmulos dos primeros sacerdotes que chegaram a esta região...nenhum deles chegou a completar os 40 anos!
Não faz notícia acompanhar a vida de um sacerdote “normal” na sua vida quotidiana, entre as suas alegrias e as suas dificuldades, enquanto gasta a própria vida, sem fazer ruído, a favor da comunidade pela qual está ao serviço.
Na verdade não procuramos fazer notícia, mas procuramos simplesmente levar a Boa Nova, aquela que sem ruído iniciou na noite de Páscoa.
Faz mais ruído uma árvore que cai do que uma floresta a crescer.
Não é minha intenção fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. 
O sacerdote não é nem um herói, nem um neurótico.
É um simples homem que, com a sua humanidade, procura seguir Jesus e servir os seus irmãos.
Nele existem misérias, pobreza e fragilidade como em cada ser humano; mas existem também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e persecutória sobre um tema, perdendo a visão do inteiro, cria realmente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico e é disto que me sinto ofendido. 
Jornalista: procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Tudo isto  o fará nobre na sua profissão.
Amigo... peço-lhe apenas isto...
Em Cristo,
Padre Martín Lasarte sdb 
“O meu passado, Senhor, confio-o à tua Misericórdia; o meu presente ao teu Amor; o meu futuro à tua Providência”.
Já não era sem tempo que chegasse uma mensagem como esta, mensagem que realmente vale a pena divulgar...
Esperemos que todos nós católicos possamos fazer como contrapeso, não apenas partilhando esta mensagem, mas com o exemplo da nossa vida.
--
frei Eugénio Boléo
Tel. - 0032 49 493 23 89

sábado, 8 de setembro de 2018

ANSELMO BORGES

Os inimigos do Papa Francisco

1. No meio desta tragédia da pedofilia do clero, que coloca a Igreja Católica numa crise sem precedentes, e quando se pode erguer a suspeita de que ela é um antro de anormais e pedófilos, parece-me justo esclarecer que, no mundo dos pedófilos, a percentagem dos padres é mínima.
Sinceramente, esta constatação não é para mim de modo algum motivo de consolação. Pelo contrário. De facto, este dado só vem confirmar que o número de crianças que sofreram e que sofrem é muitíssimo mais vasto do que aquilo que se poderia imaginar.
Depois, os abusos de menores e adultos fragilizados por parte do clero têm uma agravante terrível: as pessoas confiavam, diria que de modo incondicional, nos padres e na Igreja, e foi essa confiança que foi traída. Uma traição que envergonha os católicos. E a agravar ainda mais a situação: responsáveis, incluindo bispos e cardeais e a Cúria Romana, ocultaram e encobriram estes horrores, porque pensaram que o mais importante era defender e salvaguardar a honra e o prestígio da Igreja enquanto instituição. Evitar a todo o custo o escândalo era a palavra de ordem. Deste modo, o Evangelho foi ferido de modo brutal no seu núcleo, que é colocar a pessoa e a sua dignidade no centro, sobretudo quando se trata de vítimas inocentes. Uma catástrofe moral.
Sobre as crianças, há duas palavras essenciais de Jesus no Evangelho, que é necessário continuamente relembrar. A primeira: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino de Deus. Quem quiser entrar no Reino de Deus deve ser como elas." Elas são simples e não discriminam... A outra palavra de Jesus é terrível: "Ai de quem escandalizar uma criança, ai de quem fizer mal a uma criança. Era melhor atar-lhe a mó de um moinho ao pescoço e lançá-lo ao mar."
2. Causas para este colapso moral são muitas. Mas o Papa Francisco apresenta como principal o clericalismo e, consequentemente, o carreirismo, que ele, desde o princípio, diz que constituem "a peste da Igreja", sempre em conexão com a Cúria Romana, a corte, de que ele diz que é "a lepra do papado". Neste contexto, Francisco associa "abusos sexuais, de poder e consciência". Disse, há uns meses, ao episcopado chileno: "Há uma ferida aberta, dolorosa, e até agora foi tratada com um remédio que, longe de curar, parece tê-la aprofundado mais na sua espessura e dor. Os problemas que hoje se vivem dentro da comunidade eclesial não se solucionam apenas abordando os casos concretos e removendo pessoas. Constituiria grave omissão da nossa parte não aprofundar nas raízes. Essa psicologia de elite ou elitista acaba por gerar dinâmicas de divisão, separação, círculos fechados, que desembocam em espiritualidades narcisistas e autoritárias nas quais, em vez de evangelizar, o importante é sentir-se especial, diferente dos outros, pondo assim em evidência que nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente. Messianismos, elitismos, clericalismos, são todos sinónimos de perversão no ser eclesial."
No seu comentário, Ramón Alario caracteriza estas palavras como "duras, corajosas, clarividentes", pois mostram que é preciso ir à raiz deste tsunami da pederastia do clero e atacá-la enquanto "problema estrutural", portanto, para lá da responsabilidade das pessoas concretas. Evidentemente, o celibato imposto tem de ser considerado, mas como parte de uma estrutura clerical muito mais ampla e um dos seus pilares. Alguns dos elementos que fazem parte desta estrutura: "concentração do poder nas mãos da clerezia", poder hierarquizado e assente na contraposição clérigos/leigos; um poder patriarcal e machista, que exclui as mulheres; a carreira e ascensão no poder fazem-se mediante dois mecanismos complementares: "a obediência e/ou a hipocrisia"; "uma concepção e prática dualista e maniqueia" concretamente em relação à sexualidade; "sobrevalorização do celibatário", considerado mais perfeito do que o casado, porque mais próximo de Deus; o celibato obrigatório é "uma imposição legal" para poder pertencer a esta classe superior; o clero está à frente de "comunidades reduzidas a lugares de culto e serviço religioso à volta do padre, sem voz nem voto nas decisões de base: convertidas em grupos menores de idade...".
Depois, pode dar isto, segundo aquela diatribe dura e melancólica de Nietzsche contra os padres, prevenindo contra a infelicidade, que traz consigo sempre mais infelicidade: "Até entre eles há heróis. Muitos deles sofreram demasiado: por isso, querem fazer sofrer os outros." Nietzsche, que proclamou a morte de Deus, também deixou escrito, na mesma obra, Assim Falava Zaratustra: "Eu só acreditaria num deus que soubesse dançar."
3. Francisco quer renovar a Igreja, refontalizá-la, levando-a às origens, com o Evangelho de Jesus. Tolerância zero para a pedofilia. Transparência nas contas do Banco do Vaticano. Reforma profunda da Cúria. Uma Igreja fraterna, pobre, em saída para as periferias geográficas e existenciais. Uma Igreja viva, que não é museu. Sem clericalismo, capaz de se aproximar dos divorciados recasados, dos homossexuais, que são católicos como os outros (o problema não é ser homossexual, o problema é "o lóbi gay", diz). Francisco também está próximo dos mais desfavorecidos e critica o capitalismo desenfreado, escreveu uma encíclica, a Laudato Sí, apelando à necessidade de salvaguardar a Terra, criação de Deus e nossa casa comum, e também à necessidade de humanitariedade para com os migrantes e refugiados...
Evidentemente, os rigoristas fariseus e os lóbis económicos não gostam e atacam-no ferozmente, acusando-o inclusivamente de heresia.
Recentemente, o arcebispo Carlo Maria Viganò, num golpe cobarde e vil, pretendeu acusá-lo de cumplicidade e encobridor. Francisco, naquela sabedoria só dele, disse aos jornalistas que fossem profissionais e cumprissem o seu dever de investigação, e eles cumpriram e a imprensa internacional desmascarou o ex-núncio Viganó e os seus apaniguados, envolvidos em mentiras e contradições. E a Igreja universal, que queriam ver desunida, tem vindo massivamente a manifestar o seu apoio incondicional a Francisco. Também a Conferência Episcopal Portuguesa o fez. Para lá dos eclesiásticos, é longa a lista de políticos (incluindo Trump) e figuras públicas que vieram em defesa de Francisco.
Quem já anunciava que dentro de semanas ou meses teríamos a renúncia de Francisco e um Papa conservador a suceder-lhe devia saber que ele já preveniu que não sai a pontapé. Como tenho vindo a repetir, estou convicto de que Francisco, nesse encontro admirável de franciscano e jesuíta, não se demite nem se deprime. E não se ficará só com pedidos de perdão e exigência de justiça, incluindo a justiça civil. Até porque é preciso ir mais longe e fundo. Pode vir aí um Sínodo - Francisco está continuamente a falar da sinodalidade da Igreja, que quer dizer necessidade de caminhar juntos e em comum -, um Sínodo enquanto reunião universal de toda a Igreja, com representação de bispos, mas também de padres, de religiosos e de religiosas, da Cúria, de leigos e de leigas, portanto, eles e elas, na devida proporção, sob a presidência do Papa. Para debater esta e muitas outras questões. A que se deve esta tragédia? Como caminhar para estruturas mais democráticas na Igreja? Que novo tipo de padre? Ordenar homens casados? Pôr fim à lei do celibato? Qual o papel das mulheres na Igreja? É legítimo continuar a discriminá-las, contra a vontade de Jesus? O que é que as impede de poderem presidir à celebração da Eucaristia? Que moral sexual? O que é que a Igreja pensa de si mesma, da sua identidade e missão? Como é que deve ir ao encontro da Humanidade actual, com os seus novos problemas, questões de bioética, questões que têm que ver com o trans-humanismo e o pós-humanismo, a justiça social, os direitos humanos, o diálogo ecuménico e inter-religioso, a paz num mundo globalizado...
Padre e professor de Filosofia