sábado, 15 de dezembro de 2018

O CINISMOA DAS MANAS MORTÁGUA

Bloco de Esquerda

A insuportável leveza (e o cinismo hipócrita) das manas Mortágua /premium

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As manas Mortágua são pródigas em lágrimas de crocodilo: nos dias pares aprovam orçamentos que cortam investimento público; nos ímpares fingem defender os utentes, mas o coração bate pelos grevistas.
Faz parte das minhas rotinas profissionais passar uma parte do dia a trabalhar não muito longe de um ecrã de televisão ligado num canal de notícias. Bem sei que não é o mais recomendável para a saúde, pois a sucessão de indignidades a que facilmente se assiste facilmente nos revolve o estômago,
Foi assim que vi surgir a dada altura, com aquele ar compenetrado e concentrado que é a imagem de marca da dupla, uma das manas Mortáguas num cenário que tinha o Tejo por fundo. O oráculo informava que se tratava de Joana, a menos mediática, “vereadora da câmara de Almada”. Mas que, na ocasião, estava no Seixal. A fazer o quê? A lamentar a falta de barcos da Transtejo e da Soflusa, essa mesma falta de barcos que leva a constantes supressão de ligações e já motivou várias revoltas dos passageiros, a mais recente no início desta semana. Melíflua, Joana Mortágua culpava a falta de investimento público, começando por responsabilizar um governo que já não é governo há três anos, um projecto de concessão a privados que nunca se materializou e derramando algumas breves lágrimas de crocodilo sobre ter-se perdido tanto tempo nesta legislatura.
Ouve-se e não se acredita. Aquela mesma Mortágua, mais a sua mana, mais os seus companheiros do Bloco, andam há três anos a suportar as escolhas orçamentais que criaram o estrangulamento em que se encontram aquelas e outras empresas de transportes. Mais do que suportar essas escolhas, foram parte dessas opções e condicionaram-nas. Foi a esquerda à esquerda do PS que erigiu como primeira de todas as prioridades a “recuperação de rendimentos”, o que se deve traduzir por “recuperação dos rendimentos dos funcionários do Estado e das empresas públicas”. Não há outra coisa mais importante nos protocolos que assinaram com António Costa, não houve nada de mais constante no seu discurso.
Como tudo na vida essa escolha – que foi também a escolha por satisfazer a maior e mais reivindicativa clientela eleitoral do país – teve um custo: o dinheiro que foi para os “rendimentos” faltou para os “investimentos”. Como recorda a Helena Garrido, isso até já começou a ser assumido pelo primeiro-ministro, quando reconheceu que não é possível dar tudo a todos. A questão – e essa é sempre a grande questão quando falamos de políticas públicas – é se as escolhas diminuíram as injustiças ou, pelo contrário, agravaram as desigualdades. Hoje, três anos depois desta farsa se ter iniciado, o grau de degradação dos serviços públicos deixa cada vez menos dúvidas: há mais injustiça e mais desigualdades.
E não, não é verdade que, como ainda impudicamente repetiu Joana Mortágua, o que se passa em serviços como os transportes fluviais do Tejo sejam uma consequência da anterior maioria ou maldades do tempo da troika. Hoje sabemos que nunca nenhum ministro das Finanças usou tanto as cativações como Mário Centeno – o que significa que nunca nenhum ministro mentiu tanto ao elaborar um Orçamento de Estado, prometendo ir gastar o que sabia que não podia gastar, nem tinha intenção de gastar. Mais: também sabemos que, nos dois primeiros anos desta maravilhosa geringonça, o seu tão amado investimento público caiu para os níveis mais baixos dos últimos 60 anos. Custa a crer, mas é verdade. A Joana viu e votou, a Mariana viu, negociou, inventou um imposto que até lhe ficou com o nome, assinou por baixo e, claro, votou. São tão responsáveis como António Costa pelas supressões diárias nas ligações da Transtejo e da Soflusa.
Não estivesse sentado no Governo um senhor chamado Pedro Nuno Santos e eu até diria que eram mais responsáveis – e di-lo-ia em função do seu discurso radical contra tudo o que seja concessão de serviços públicos a privados. Joana Mortágua, se não fosse uma fanática — pesei o uso desta palavra –, reconheceria que, na Margem Sul em que até é vereadora, o melhor serviço de transporte ferroviário é o assegurado pela Fertagus na ponte 25 de Abril – cumpre horários, praticamente nunca é afectado por greves, por exemplo. Mais: saberia que a generalidade dos autocarros que servem os concelhos da região são de empresas privadas, que têm contratos de concessão, e que do seu serviço não costumamos ouvir as queixas que ouvimos sobre o oferecido pela CP ou pelo Metro de Lisboa.
Mas que interessa a realidade às Mortáguas enquanto h

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O PADRE ANTÓNIO VIEIRA

A desonra de Padre António Vieira
A estátua erguida em 2017 a Vieira podia ter sido encomendada por Salazar. Não surpreende que tenha sido defendida pela extrema-direita. Surpresa é que tenha sido aprovada pelos poderes da democracia sem suscitar escândalo.

  
TÓPICOS
"Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra. Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo." Estas palavras estão inscritas num mural de azulejo colocado em 2008 junto ao local onde vivo e nunca as leio sem me comover. São de Padre António Vieira, que terá nascido na zona, e bastaria conhecer só isto dele para o admirar imensamente: alguém que falava e escrevia e pensava assim, caramba, como não amá-lo?
A nostalgia, a tristeza, a energia, a amargura, a consciência da finitude e do tempo que se esvai, da imensidão do mundo e da vertigem das escolhas, do irremediável de cada caminho por onde entrámos em detrimento dos outros, uma certa raiva magoada por Portugal. Ter isto ao virar da esquina é uma interpelação poderosa, e um tributo adequado. Um homem de ideias e de palavra é nas palavras e ideias, no que universal e magnífico e imorredouro transportam, que melhor se celebra.
Vem isto a propósito de outra suposta homenagem que foi feita a PAV em Lisboa, a já famosa estátua erguida no Largo da Misericórdia, na qual Vieira surge de crucifixo ao alto, rodeado de indiozinhos nus. Confesso que quando vi a notícia sobre a estátua me custou a crer que algo tão obsceno tivesse sido comissionado e colocado no espaço público em 2017, com o beneplácito da Câmara de Lisboa. Há, decerto, monumentos e outras celebrações racistas do imperialismo e colonialismo em Portugal - desde logo, as pinturas na Assembleia da República em que negros surgem aos pés dos brancos portugueses, em atitude de submissão e inferioridade, como se de animais domésticos se tratasse - mas são produto da sua época e como tal devem ser encarados e enquadrados, como uma memória terrível e presente do que sucedeu. Coisa completamente diferente é erguer hoje uma estátua que ostenta a ideologia imperialista e colonialista e racista que observamos nas obras de há 100 anos: o bom missionário, propagador da fé e do império, com os seus pupilos indígenas nus (e como é possível nesta era pós escândalo de abusos sexuais de menores por padres e freiras a Igreja Católica achar boa ideia pôr um homem do clero acompanhado de tenras crianças nuas?), símbolos de todo um povo infantilizado sobre o qual exerce o seu domínio protetor de superior moral e guia civilizacional, espécie de prestimoso pai dos primitivos. Uma estátua que podia perfeitamente ter sido encomendada e aprovada por Salazar - e não por acaso foi "defendida" por um grupo de extrema-direita da ação dos que quiseram contra ela protestar, a 5 de outubro, lendo partes de sermões de PAV e apondo flores junto a ela, em tributo aos povos escravizados, dizimados e "evangelizados" pelo império católico português.
Não me surpreende que a extrema-direita portuguesa defenda o legado imperial e colonial e a superioridade sobre os "descobertos" - é essa a sua principal "ideologia". Também a visão anacrónica e profundamente anti-cristã da hierarquia da Igreja Católica portuguesa objetificada naquela escultura condiz com aquilo a que nos habituou. O pedido de perdão de João Paulo II em Gorée, em fevereiro de 1992, pelo papel da instituição na escravatura entrou por um ouvido e saiu por outro dos clérigos do país que mais escravos traficou - onde já se ouviu uma palavra da Igreja Católica portuguesa sobre o assunto? Onde está a evidência de que refletiu sobre? Como se constata pela estátua em questão, em lado nenhum.
Mas o que me choca deveras nisto é que os poderes da democracia, neste caso a Câmara de Lisboa, tenham dado o OK ao "monumento", assumindo assim que aquela coisa escabrosa é uma homenagem adequada a um dos nossos maiores vultos intelectuais. E que um coro de opinadores tenham saltado sobre quem contra ela protesta, fazendo uma ligação sem qualquer sentido com o derrube de estátuas dos heróis confederados nos EUA e molhando na sopa da enjoativa e ela sim politicamente correta guerra contra o "politicamente correto", sem perderem um segundo a olhar para a estátua (ou será que olharam e não viram?)

É certo que o manifesto do protesto põe em causa PAV, alegando sobre um seu antiesclavagismo seletivo, e que do meu ponto de vista deveria ter ficado claro que era a estátua e não PAV o alvo da iniciativa, mesmo se PAV pode e deve ser alvo de debate (como não?). Mas quem se encarniça contra o protesto e apenas contra ele não pode ignorar que está a alinhar com quem acha que não há problema nenhum na cegueira voluntária sobre a nossa história que aquele objeto simboliza, e com escolhermos representar o horror como glória. Que isto suceda na altura em que finalmente o governo português parece apostado em fazer alguma coisa no âmbito da iniciativa da ONU de celebrar a década dos afrodescendentes de 2015 a 2024 - iniciativa que sugere a existência de memoriais e museus sobre a escravatura e um olhar sobre o passado colonial que dê a perspetiva dos colonizados - é uma triste evidência do quanto estamos atrasados neste debate. Oiçamos Vieira, honremos Vieira: nascer em Portugal não nos deve impedir de ver o mundo, e do mundo ver Portugal. É isso chegar a ser homem - crescer.

TONTICES

Envio tal como recebi


"Tenho aqui "uma pulga atrás da orelha": ou há "gato escondido com o rabo de fora" ou então temos mesmo que "agarrar o touro pelos cornos" e preservar os provérbios portugueses carregados de significado semântico. Sempre ouvi dizer que "mais vale um pássaro na mão que dois a voar" e, sinceramente, deixar voar tanta simbologia vai deixar-nos como "peixes fora de água" em algumas conversações. Vale que "cão que ladra não morde" e às vezes há mesmo que "engolir um sapo". Desculpem se estou para aqui a desbobinar "cobras e lagartos" mas eles deviam era estar "caladinhos que nem um rato" e tirar "o cavalinho da chuva", porque, "macacos me mordam", acabar os provérbios com animais é o mesmo que deixar de "falar como um papagaio", que é uma coisa que eu adoro.

Os políticos às vezes são "chatos como uma carraça" e só dá vontade de lhes gritar "vai-te embora ó melga! , vai-te encher de moscas!". Não tarda proíbem todas as histórias com bichos e até quem se apaixona fica proibido de sentir "borboletas na barriga" ou de "ir ver a foca" (esta é só para quem é de Coimbra! ). Enfim, "os cães ladram e a caravana passa".

E agora, se quiserem, partilhem, que "a cavalo dado não se olha ao dente" e embora "ovelha que berra é bocado que perde" eu não tenho medo pois "quem tem medo compra um cão".

Definitivamente, neste país, temos é que aprender a ser "espertos que nem uma raposa" para não "andarmos para trás como o caranguejo"."

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

À MARIANITA MORTÁGUA

UM DIA:::

Um dia todos nós vamos nos separar Cerca de 13 frases e pensamentos: Um dia todos nós vamos nos separar Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Almany Falcão - Poeta do sol

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O QUE NOS DIZ EÇA!

Ó Eça, o que nos dizes, 130 anos depois de "Os Maias"? Vamos trocar umas ideias sobre o assunto do génio? Em Portugal, esse panteão foi cedo ocupado por Eça de Queirós, mestre da ironia que vergastou as elites bem-pensantes e cujas máximas ganharam eternidade de pedra. Que atire uma pedra quem nunca se exibiu com um "isto é uma choldra". Os Maias, o "romance-monumento" em que ele pôs "tudo o que tinha no saco", cumpre 130 anos, o escritor vai ser celebrado com uma exposição inédita na Fundação Gulbenkian, e há ainda uma nova reedição d'As Farpas sem Ramalho Ortigão na equação. Tudo bons pretextos para revisitar o seu universo, conhecer nove momentos da sua vida, e ver se Eça ainda espelha o Portugal contemporâneo. É que olhando para as manchetes de jornais, não faltariam histórias tragicómicas nem personagens caricatas para alimentar a vaste machine, defendem Isabel Pires de Lima e Maria Filomena Mónica. E Afonso Reis Cabral, trineto de Eça, vencedor do Prémio Leya 2014 com o livro O Meu Irmão, escreve uma imperdível Carta ao aluno que não lê "Os Maias".

JUSTIÇA À PORTUGUESA

Fwd: JUSTIÇA DE CLASSE À PORTUGUESA Caixa de entrada x Alberto Gomes 18:13 (Há 3 minutos) para Bcc:eu ---------- Forwarded message --------- From: monte manel Date: quinta, 22/11/2018 à(s) 11:42 Subject: Fwd: JUSTIÇA DE CLASSE À PORTUGUESA To: Jorge Neves , moisesjvieira , Alberto Gomes ---------- Forwarded message --------- From: marprospero19 Date: sábado, 17/11/2018, 19:08 Subject: Fwd: JUSTIÇA DE CLASSE À PORTUGUESA To: JUSTIÇA DE CLASSE À PORTUGUESA!!! Peço a todos meus amigos que não deixem de ler, na íntegra, o texto do email que reenvio. https://1.bp.blogspot.com/-IxKbdbi_l_4/WwIOn_gG-TI/AAAAAAAAggY/KUI9Y9ppKn8eKrdvWxzc6UbKd1FnNqzpgCLcBGAs/s320/JULGAMENTO.jpg Salvato Trigo, reitor da Universidade Fernando Pessoa, foi acusado de desviar fundos da Universidade em benefício próprio e de familiares. Salvato Trigo pediu que o julgamento fosse efectuado à porta fechada e o juiz acedeu ao pedido, sem que se conheçam as razões que justifiquem a decisão, O "Público " pediu para ter acesso ao processo, mas o juiz recusou. Quando toda a gente pede transparência na política, é no mínimo estranho que um juiz não tenha de justificar à sociedade a razão de ter autorizado o julgamento à porta fechada de um caso de corrupção. Não deixa de ser estranho que, numa época em que a comunicação social tem acesso a escutas e aos pormenores mais sórdidos de casos de justiça envolvendo corrupção de políticos, um ex-reitor acusado de desviar 2,2 milhões de euros de uma universidade, seja julgado à porta fechada. Demo-nos por satisfeitos, porém, pois ficou a saber-se a sentença deste julgamento feito no confessionário: 15 meses de prisão com pena suspensa! Ou seja, apenas mais três meses do que o mendigo que há meses roubou um polvo do supermercado. Poder-se-ia argumentar que o homem que roubou o polvo é um ladrão incorrigível enquanto Salvato Trigo é um homem de bem que teve um "deslize" e está genuinamente arrependido. Só que não é verdade... Salvato Trigo já tinha sido condenado a 10 meses de prisão, igualmente com pena suspensa, no final dos anos 90 do século passado. Motivo? Desvio de verbas do Fundo Social Europeu. Estranha-se, por isso, este julgamento de sacristia à porta fechada. E porque tenho a certeza absoluta que Salvato Trigo não corrompeu o juiz (os juízes são a única classe profissional neste país absolutamente impoluta e acima de qualquer suspeita) resta-me manifestar a minha perplexidade pelo facto de a comunicação social (com excepção do Publico) não ter revelado quaisquer pormenores sobre o misterioso julgamento do ex-reitor da Universidade Fernado Pessoa

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

D. PEDRO II do Brasil