quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A CULPA

Subject: Poema - A Culpa

A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das 'strippers' que nunca se põem nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados,
A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio, que já não joga à bola,
E daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS, do PS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O que estás fazendo para as próximas gerações

Essa é uma homenagem à turma de cabelos brancos.

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a
um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

"Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo
quase primitivo!", o estudante disse alto e claro de modo
que todos em volta pudessem ouvi-lo.

"Nós, os jovens de hoje, crescemos com Internet ,
celular , televisão, aviões a jato, viagens espaciais,
homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte.
Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a
hidrogênio, computadores com grande capacidade de
processamento e ....," - fez uma pausa para tomar outro gole
de cerveja.

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para
interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e
disse:

- Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens porque estávamos ocupados em inventá-las.
E você, um bostinha de merda arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?

 
  

Foi aplaudido de pé !
ESTA É PRA REPASSAR MESMO!!!
 



PORTUGAL; QUE FUTURO?

PORTUGAL: QUE FUTURO ?

Trinta e cinco anos de vida.
Filho de gente humilde. Filho da aldeia.. Filho do trabalho.
Desde criança fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, montei móveis, entreguei roupas, fui vendedor ambulante, servi à mesa e ao balcão. Limpei chãos, comi com as mãos, bebi do chão e nunca tive vergonha.
Na aldeia é assim, somos o que somos porque somos assim.

Cresci numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora.

Cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água, sem luz, sem estradas e com uma oferta de trabalho árduo e feroz.

Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olha nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.

Cresci com amigos que estudaram e com outros que trabalharam.

Os que estudaram, muitos à custa de apoios do Governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo.. Os que sempre trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o País e a pouco se fazerem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e a nada receberem por produzir.

Cresci a ouvir dizer que éramos um País em Vias de Desenvolvimento e... de repente éramos já um País Desenvolvido, que depois de entrarmos para a União Europeia o dinheiro tinha chegado a "rodos" e que passámos de pobretanas a ricos "fartazanas"...

Cresci assim, sem nada e com tudo!!!

E agora, o que temos nós????...

1.       Um país com duas imagens:
·         A de Lisboa: cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, o lugar onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado, presente e futuro.
·         E a do interior do país, território desertificado, envelhecido, abandonado, improdutivo, esquecido, queimado, ardido, pisado.

2.       Um país de vícios:
·         Esqueceram-se os valores, sobrepuseram-se os doutores.
·         Não interessa a tua história, interessa o lugar que ocupas.
·         Não interessa o que defendes, interessa o que prometes.
·         Não interessa como chegaste lá, mas sim o que representas lá.
·         Não interessa o quanto produziste, interessa o que conseguiste.
·         Não interessa o meio para atingir o fim, interessa o que me podes dar a mim.
·         Não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho.
·         Não interessa que critiquem os políticos, interessa é estar lá.
·         Não interessa saber que as associações de estudantes das universidades são o primeiro passo para a corrupção  activa e passiva que prolifera em todos os sectores políticos, interessa é que o meu filho esteja lá.
·         Não interessa saber que as autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu pertença aos quadros.
·         Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o povo vá para o diabo.

3.       Um país sem justiça:
·         Pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias.
·         Pedófilos que por serem políticos são pegados em ombros, e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno.
·         Assassinos que matam por trás e que são libertados passados sete anos por bom comportamento!
·         Criminosos financeiros que escapam por motivos que nem ao diabo lembram.
·         Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou alguém questiona tais fortunas.
·         Políticos que desgovernam um país e "emigram" para Paris.
·         Bancos que assaltam um país e que o povo ainda ajuda a salvar. Veja-se o Novo Banco, que continua a assaltar os seus clientes e ainda usa o já coçado o slogan: "(mais vale) um pássaro na mão, em vez de dois a voar"!
Isto, enquanto com o beneplácito do BCE, do BdP, e do próprio Executivo que nos devia governar, lhes rouba descaradamente 70% dos seus investimentos!
       Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica e chora.

4.       Um país sem educação:
·         Quem semeia ventos colhe tempestades.
·         Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente sofisticados, em Portugal a educação passou a ser um circo.
·         Não se podem reprovar meninos mimados.
·         Não se pode chumbar os malcriados.
·         Os alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar.
·         Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas.
·         Os professores saem com os alunos e alunas e os alunos mandam nos professores.
          Os juÍzes aplaudem a violência doméstica.
·         Ser doutor, afinal, é coisa banal.

5.       Um país que abandonou a produção endógena· 
-         Que exige licença para limpar o mato dos campos e da floresta.  
-        Um país rico em solo, em clima e em tradições agrícolas que abandonou a sua história.
·         Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país.
·         Um país que julga que uma mega fábrica de automóveis dura para sempre.
·         Um país que pensa que turismo no Algarve é que dá dinheiro para todos.
·         Um país que abandonou a pecuária, a pesca e a agricultura.
·         Que pisa quem ainda teima em produzir e destaca quem apenas usa gravata.
·         Um país que proibiu a produção de Queijo da Serra artesanal na década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional.
·         Um país que diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de excelência, carne mirandesa  maravilhosa, Vinho do Porto fabuloso, Ginjinha deliciosa, Pastel de Tentugal tentador, Bolo Rei português, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de Portugal para vender…
·         E tanto, tanto mais... que sai da terra e da nossa história.

6.       Um país sem gente e a perder a alma lusa.
·         Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, em arquitectos, em advogados, em médicos, em gestores, economistas e marketeers, em cursos profissionais, em novas tecnologias e em tudo o mais, e que agora fecha as portas e diz para os jovens emigrarem.
·         Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e sábia que não tem a quem passar tamanha sabedoria.
·         Um país com jovens empreendedores que desejam ficar, mas são obrigados a partir.
·         Um país com tanto para dar, mas com o barco da partida a abarrotar.
·         Um país sem alma, sem motivação e sem alegria.
·         Um país gerido por porcaria.

E agora, vale a pena acreditar???...
Vale... Se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e de mudar...............

Porquê acreditar???...
Porque oitocentos anos de história, construída a pulso, não se destroem em tempo algum.
Porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o sol continua a brilhar!!!!

 




terça-feira, 3 de outubro de 2017

POLITICAMENTE CORRECTO

DEFINIÇÃO DO … POLITICAMENTE CORRECTO...

Na Universidade de Griffith, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo.
Este ano, o termo escolhido foi “politicamente correcto”.
O estudante vencedor escreveu :
“Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação (também iludidos e sem lógica) e que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo.”

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SE CAMÕES VOLTASSE?

 Este texto é um magnífico epitáfio à língua de Camões
 
 
Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa
 
Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?


A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

 
Este texto é da autoria de Teolinda Gersão. Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português. Colocou-o no Facebook

sábado, 26 de agosto de 2017

domingo, 13 de agosto de 2017

DO PAPA FRANCISCO



PAPA FRANCISCO SEMPRE SURPREENDENDO COM SUAS REFLEXÕES:

"Paredes de hospitais já ouviram preces mais honestas do que igrejas...

Já viram despedidas e beijos mais sinceros que em aeroportos...

É no hospital que você vê um homofóbico ser salvo por um médico gay...

A médica "patricinha" salvando a vida de um mendigo...

Na UTI você vê um judeu cuidando de um racista...

Um paciente policial e outro, presidiário, na mesma enfermaria recebendo
ambos os mesmos cuidados...

Um paciente rico na fila de transplante hepático pronto para receber o
órgão de um doador pobre...

São nessas horas em que o hospital toca nas feridas das pessoas que
universos se cruzam em um propósito divino e nessa comunhão de destinos nos
damos conta de que sozinhos não somos ninguém!

A verdade absoluta das pessoas, na maioria das vezes, só aparece no momento
da dor ou da ameaça real da perda definitiva"

Hospital, local onde os seres humanos se desnudam de suas máscaras e se
mostram como são em suas verdadeiras essências.

Esta vida vai passar rápido, não brigue com as pessoas, não critique tanto
seu corpo.

Não reclame tanto.

Não perca o sono pelas contas.

Não deixe de beijar seus amores.

Não se preocupe tanto em deixar a casa impecável.

Bens e patrimônios devem ser conquistados por cada um, não se dedique a
acumular herança.

Deixe os cachorros mais por perto.

Não fique guardando as taças.

Use os talheres novos.

Não economize seu perfume predileto, use-o para passear com você mesmo.

Gaste seu tênis predileto, repita suas roupas prediletas, e daí?

Se não é errado, por que não ser agora?

Por que não dar uma fugida?

Por que nao orar agora ao invés de esperar para orar antes de dormir?

Por que não ligar agora?

Por que não perdoar agora?

Espera-se muito o natal, a sexta-feira, o outro ano, quando tiver dinheiro,
quando o amor chegar, quando tudo for perfeito…

Olha, não existe o tudo perfeito.

O ser humano não consegue atingir isso porque simplesmente não foi feito
para se completar aqui.

Aqui é uma oportunidade de aprendizado.

Então, aproveite este ensaio de vida e faça o agora...
Se respeite, respeite os outros ;siga seu caminho e deixe o caminho
escolhido das outras pessoas , respeite  não comente , julgue ou se meta...
Ame mais, perdoe mais, abrace mais, viva mais intensamente e deixe o resto
nas mão de Deus.

(Papa Francisco)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS LUSIADAS


Os Lusíadas do Século XXI
 Canalhíadas
                     I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

                      II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

                     III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta..
                      IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!


       Luís Vais Sem Tostões



terça-feira, 1 de agosto de 2017

DE AUTOR ANÓNIMO

REENVIO COMO RECEBI
  
ANÓNIMO
De vez em quando - e pena é que seja só de vez em quando - aparecem-nos textos que, depois de lidos, apetece relê-los

Uma pérola de texto!
Não refere autor, mas acho que qualquer de nós gostaria de o ter escrito.


PORTUGAL: QUE FUTURO ?

Trinta e cinco anos de vida.
Filho de gente humilde. Filho da aldeia. Filho do trabalho.
Desde criança fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, montei móveis, entreguei roupas, fui vendedor ambulante, servi à mesa e ao balcão. Limpei chãos, comi com as mãos, bebi do chão e nunca tive vergonha.
Na aldeia é assim, somos o que somos porque somos assim.
Cresci numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora.
Cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água, sem luz, sem estradas e com uma oferta de trabalho árduo e feroz.
Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olha nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.
Cresci com amigos que estudaram e com outros que trabalharam.
Os que estudaram, muitos à custa de apoios do Governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo. Os que sempre trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o País e a pouco se fazerem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e a nada receberem por produzir.
Cresci a ouvir dizer que éramos um País em Vias de Desenvolvimento e ... de repente éramos já um País Desenvolvido, que depois de entrarmos para a União Europeia o dinheiro tinha chegado a "rodos" e que passamos de pobretanas a ricos "fartazanas".
Cresci assim, sem nada e com tudo.


E agora, o que temos nós?

1.       Um país com duas imagens.
·         A de Lisboa: cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, o lugar onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado, presente e futuro.
·         E a do interior do país, território desertificado, envelhecido, abandonado, improdutivo, esquecido, pisado.

1.       Um país de vícios.
·         Esqueceram-se os valores, sobrepuseram-se os doutores.
·         Não interessa a tua história, interessa o lugar que ocupas.
·         Não interessa o que defendes, interessa o que prometes.
·         Não interessa como chegaste lá, mas sim o que representas lá.
·         Não interessa o quanto produziste, interessa o que conseguiste.
·         Não interessa o meio para atingir o fim, interessa o que me podes dar a mim.
·         Não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho.
·         Não interessa que critiquem os políticos, interessa é estar lá.
·         Não interessa saber que as associações de estudantes das universidades são o primeiro passo para a corrupção activa e passiva que prolifera em todos os sectores políticos, interessa é que o meu filho esteja lá.
·         Não interessa saber que as autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu pertença aos quadros.
·         Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o povo vá para o diabo.

1.       Um país sem justiça.
·         Pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias.
·         Pedófilos que por serem políticos são pegados em ombros, e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno.
·         Assassinos que matam por trás e que são libertados passados sete anos por bom comportamento!
·         Criminosos financeiros que escapam por motivos que nem ao diabo lembram.
·         Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou alguém questiona tais fortunas.
·         Políticos que desgovernam um país e "emigram" para Paris.
·         Bancos que assaltam um país e que o povo ainda ajuda a salvar.
·         Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e alimentando a máquina que tanto critica e chora.

1.       Um país sem educação.
·         Quem semeia ventos colhe tempestades.
·         Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente sofisticados, em Portugal a educação passou a ser um circo.
·         Não se podem reprovar meninos mimados.
·         Não se pode chumbar os malcriados.
·         Os alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar.
·         Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas.
·         Os professores saem com os alunos e alunas e os alunos mandam nos professores.
·         Ser doutor, afinal, é coisa banal.

1.       Um país que abandonou a produção endógena.
·         Um país rico em solo, em clima e em tradições agrícolas que abandonou a sua história.
·         Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país.
·         Um país que julga que uma mega fábrica de automóveis dura para sempre.
·         Um país que pensa que turismo no Algarve é que dá dinheiro para todos.
·         Um país que abandonou a pecuária, a pesca e a agricultura.
·         Que pisa quem ainda teima em produzir e destaca quem apenas usa gravata.
·         Um país que proibiu a produção de Queijo da Serra artesanal na década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional.
·         Um país que diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de excelência, carne mirandesa maravilhosa, Vinho do Porto fabuloso, Ginjinha deliciosa, Pastel de Tentugal tentador, Bolo Rei português, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de Portugal para vender…
·         E tanto, tanto mais... que sai da terra e da nossa história.

1.       Um país sem gente e a perder a alma lusa.
·         Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, em arquitectos, em advogados, em médicos, em gestores, economistas e marketeers, em cursos profissionais, em novas tecnologias e em tudo o mais, e que agora fecha as portas e diz para os jovens emigrarem.
·         Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e sábia que não tem a quem passar tamanha sabedoria.
·         Um país com jovens empreendedores que desejam ficar, mas são obrigados a partir.
·         Um país com tanto para dar, mas com o barco da partida a abarrotar.
·         Um país sem alma, sem motivação e sem alegria.
·         Um país gerido por porcaria.

E agora, vale a pena acreditar?
Vale. Se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e de mudar.
Porquê acreditar?
Porque oitocentos anos de história, construída a pulso, não se destroem em tempo algum . Porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o sol continua a brilhar e a nossa alma, ai a nossa alma, essa continua pura e lusitana e cada vez mais fácil de amar.
ESTE PODRE PAÍS TEM SIDO GOVERNADO POR PESSOAS COM MENTALIDADE DE TABERNEIROS. TIRA DAQUI E TAPA ALI... SÓ COM VISÃO NO DIA DE AMANHÃ. POLÍTICOS TÊM QUE TER VISÃO Á DISTÃNCIA, A MILHAS DE ANOS. POR ACASO ALGUÉM ATÉ HOJE PENSOU EM FAZER UM TRANSVASE DO DOURO PARA AS TERRAS DO SADO? POR ACASO ALGUÉM PENSOU EM PRODUZIR ENERGIA SOLAR A CUSTO ZERO POIS OS KWS QUE VÃO PARA A REDE, E QUE A edp VENDE DÃO SOBEJAMENTE PARA PAGAR O EQUIPAMENTO OU PAGAR CHORUDOS DIVIDENDOS AOS ACCIONISTAS?. COM AS ACTUAIS CONDIÇÕES É EXPLORAR O POVO MEUS SENHORES. ALGUEM COMEÇOU AS LINHAS FÉRREAS, DE BITOLA EUROPEIA, PARA NOS LIGAR AO MUNDO. FALAM...FALAM... MAS NÃO FAZEM NADA. A UE SUBSIDIA TUDO ISTO... QUE GRANDES TABERNEIROS... 

TENHAM VERGONHA!

Da autoria do nosso camarada da "velha-guarda" Coronel Soares Barbosa

A PROPÓSITO DO ROUBO DE MATERIAL DOS PAIÓIS DE TANCOS

Hoje um amigo meu, professor universitário de Filosofia, ex-fuzileiro voluntário, depois de nos cumprimentarmos, a primeira pergunta que me fez foi: “Oh senhor Coronel, com este assalto não sente vergonha de ser militar ?!...”
Como nunca sei quando está a brincar ou sério, tal a sua arte de malabarismo das palavras (ou não fosse filósofo) e, como eu estava com pressa, apenas tive tempo de lhe responder que não tenho vergonha de ser militar, tenho vergonha, isso sim, das atitudes irresponsáveis das várias entidades que têm a obrigação de gerir este país.
Depois de chegar a casa, resolvi, mais serenamente, tecer algumas considerações:
- Tenho vergonha de os políticos tudo terem feito para reduzir a importância das Forças Armadas, quer reduzindo-lhe drasticamente os meios, humanos, materiais e financeiros;
- Tenho vergonha das nomeações para as Chefias Militares serem de escolha política, em detrimento de quem tenha mais qualidades para os cargos, para ser mais fácil “passar-lhes a mâo pelo pêlo”, agindo como cordeirinhos com receio de perderem o “taxo”;
- Tenho vergonha de que os mesmos políticos que eliminaram o serviço militar obrigatório, cedendo ao desejo das jotas, venham agora descobrir como aconselhável o serviço militar obrigatório para ambos os sexos, nem que seja para fazer só a recruta (ensinando-lhes, entre outras coisas, o combate a incêndios – belo serviço cívico);
- Tenho vergonha de que tenham sido abandonadas instalações militares, apenas com o intuito de poupar, deixando-as ao abandono e “a cair de podre” (não esquecer que a sua manutenção era feita por militares do SMO);
- Tenho vergonha de que os políticos tenham contribuído para imagem negativa que a opinião pública tem das Forças Armadas, vendo nelas um peso inútil, quando tal não é verdade. Os políticos que lhe atribuam missões em favor da comunidade, dando-lhe os meios necessários, e verão o que são as FA, quando bem enquadradas e consideradas. Alguém, bom observador destas questões, dizia que só há duas entidades bem organizadas e hierarquizadas em Portugal : As Forças Armadas e a Igreja Católica.
- Tenho vergonha do desmantelamento de especialidades militares que sempre foram consideradas de grande utilidade em situações de crise. Dou exemplo de duas: - Sapadores bombeiros da responsabilidade da Engenharia Militar; - Sapadores dos Caminhos de Ferro ;
- Tenho vergonha de que os políticos, cedendo aos grandes lóbies dos fogos e de outras negociatas, tenham retirado à Força Aérea Portuguesa a concentração, controlo e manutenção dos meios aéreos de combate a incêndios, socorro e apoio sanitário, etc.
- Tenho vergonha de que, em nome do défice orçamental, os políticos tenham reduzido os efectivos militares abaixo dos mínimos razoáveis e tenham tornado obrigatória a autorização ministerial de despesas, ridicularizando a acção de comando, em situações urgentes e inadiáveis. Dois exemplos:                                                                                                            *Relativamente aos efectivos : Todos os anos se comemora o dia da unidade do Regimento de Infantaria 13 (Vila Real) no dia 9 de Abril (Batalha de La Lys -1ªGM). Como não recebesse o convite habitual para estar presente, informaram-me que o dia da Unidade seria comemorado apenas quando regressasse o Batalhão que estava numa missão internacional. No dia da festa da Unidade vim a saber a razão efectiva do adiamento – falta de efectivos para que a cerimónia pública, no centro da cidade de Vila Real, fosse realizada com um mínimo de dignidade !...     * Relativamente à autorização para despesas inadiáveis : - Os Paióis Nacionais de Tancos : Apesar de se tratar de uma zona altamente sensível, o sistema de videovigilância há muito estava inoperacional, as vedações careciam de reparação e os efectivos para garantir a segurança e vigilância não eram suficientes. Segundo li, a “Lei de Programação Militar” previa a disponibilização de verbas em 2018 para ocorrer às deficiências atrás apontadas. Segundo os regulamentos militares, “o Comandante é responsável pelo que a Unidade faz ou deixa de fazer” !...Se esta regra fossa aplicada na política, todos os dias havia “cabeças a rolar” em direcção ao Rio Tejo !...
- Tenho vergonha dos políticos que se “orgulham” do défice mais baixo da democracia, alardeado em grandes cartazes, à custa do essencial para o Pais e, claro, da População !...
- É disto e de muito mais de que tenho vergonha !...

Apesar destas e de outras vergonhas, CONTINUO A TER MUITO ORGULHO EM SER MILITAR !...

COMO A MAIORIA DOS POLÍTICOS NÃO FEZ SERVIÇO MILITAR, NÃO TEM A NOÇÃO DO ORGULHO DE SER MILITAR !... 

Com um abraço amigo
AB                                                                                                                 


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