quinta-feira, 19 de setembro de 2019

POEMA DEDICADO AO ZÉ

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

CARTA A UMA ADOLESCENTE


CARTA A UMA ADOLESCENTE TARDIA, IMATURA E PARASITA DO ESTADO 
Cristina Miranda é natural de Viana do Castelo, foi professora e, segundo a própria, trabalha desde os 16 anos. Como muitos portugueses, está indignada com a nova proposta de imposto de Mariana Mortágua para taxar o património.
A vianense escreveu um longo texto no Facebook que conta com centenas de comentários e milhares de interações e partilhas, sobre o novo imposto que deverá incidir sobre o valor tributário total dos imóveis dos contribuintes, enquanto o IMI (imposto municipal de imóveis) se aplica ao valor de cada prédio.

Carta a Mariana Mortágua
“Cara Mariana, no seguimento à sua brilhante frase “Temos de perder a vergonha e ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro”, permita-me a minha revolta nestas palavras que lhe dirijo:

Esta sou eu com 16 anos no meu 1º trabalho, nas férias do Liceu (não, não é photoshop nem posei para a fotografia, estava mesmo a trabalhar!). Ganhei o meu 1º salário, 30 contos, como operadora de empilhador numa bloqueira. Aos 17, já carregava camiões, com chuva e pó nas ventas ao volante de 1 máquina de maior porte. Com 6h de trabalho intenso, onde por vezes era preciso montar paletes (de blocos de cimento), seguia pra escola.

Aos 18 já era independente e pagava as minhas contas. Ingressei no ensino superior. Dava aulas durante o dia todo e seguia para o Porto, estudar à noite. Formei-me a pagar meus próprios estudos como trabalhador estudante. Comprei aos 23 anos meu 1º carro sozinha (1 super cinco em 2ª mão). Aos 28 anos construí 1 casa com empréstimo bancário que paguei durante 15 anos. Aos 35, tinha já 1 poupança de alguns milhares. Ao longo dos meus 50 anos, já fiquei sem emprego mas nunca sem trabalho.

Só estive 4 meses no fundo de desemprego, para logo de seguida empreender. Quando estive grávida deixei perplexa a funcionária da segurança social perante minha ignorância e não ter, por isso, requerido subsídio. É que meus pais ensinaram-me a trabalhar, não a viver à custa do Estado. Não desenvolvi essa habilidade. Porque apesar de não ter dividido como o meu pai, 1 sardinha por três, cresci sem saber o que era abundância. A dar valor a tudo o que se tinha. A lutar. A fazer reservas para o futuro.

Emigrados no Canadá, e porque era preciso “acumular dinheiro”, não tenho 1 lembrança, em criança, de 1 passeio com meus pais, de 1 almoço fora, de 1 férias… Os brinquedos, ainda hoje consigo lembrá-los todos. As roupas e calçado, só quando eram mesmo precisos. Vivi em casas modestas dormindo na sala. Porque era preciso “acumular dinheiro”, aos 5 anos tive de aprender a tomar conta de mim sozinha (ter babysitter é prós fracos). Porque meu pai , acampado nos bosques onde cortava pinheiros, só vinha ao fim semana. Minha mãe, tinha 2 empregos (era contínua e fazia limpezas), só a via à hora de almoço porque saía às 5h e chegava sempre pelas 24h. Cresci sozinha porque era preciso trabalhar arduamente para “acumular dinheiro”.

Porque o meu pai não assaltou bancos. O que tinha era mesmo dele. Saiu-lhe do corpo.

Por isso, vocês é que deveriam ter VERGONHA. Porque é preciso ser-se muito NULO para não saber governar sem sacar a quem faz pela vida. Criar grupos de trabalho de como assaltar as poupanças e património, em vez de procurar estimular e incentivar a economia. Porque de facto, não pagamos já impostos suficientes? Saiba que os “acumuladores de dinheiro deste país, trabalharam arduamente para o ter. Sejam grandes ou pequenos acumuladores de dinheiro”, TODOS começaram de baixo (excluo aqui, como é óbvio, os criminosos assaltantes de bancos, de património, traficantes). E consoante as suas aspirações, uns apostaram mais alto, outros menos, mas todos contribuindo para o enriquecimento da Nação.

E é graças a eles TODOS que a Mariana, sem mérito algum, pousa o seu rabito no Parlamento. Porque não fossem eles, não haveria salário para nenhum de vós, que a bem dizer, é um desperdício. O país não precisa de parasitas que estudam meios para conseguir roubar mais a quem os sustenta. Precisa sim de gente como nós, mais ou menos “abastados” que produz, que investe, que cria postos de trabalho.

Por isso, cada vez que estiver nessas reuniões de “trabalho” sinta vergonha por mais 1 assalto à classe dos “abastados” (classe média) em vez de começar por tributar o património dos partidos políticos onde se inclui o vosso palacete ocupado à força depois da revolução; por ter chumbado o decreto sobre enriquecimento ilícito; por ter permitido as subvenções vitalícias; por fazer vista grossa à corrupção existente no sector financeiro e organismos públicos; por proteger a classe que nos rouba e empobrece: a vossa.”
                                               Cristina Miranda
                                   Viana do Castelo

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

sábado, 7 de setembro de 2019

A LINHA DO DOURO


D. Quixote


LA ESPANTABLE AVENTURA DE DON QUIXOTE EN LA ACTUALIDAD
       chegados à única parte da Ibéria (com a devida vénia a Heródoto e a Estrabão) cujo topónimo ainda preserva as emanações etimológicas da primitiva designação grega da Península – já que os códices alto-medievos consignavam a região como “Beria” e “Beriam” ( e que nos tombos não tão arcaicos se grafava “Beyria” e ainda “Beyra”) – chegados pois à Beira os dois famigerados viandantes, Quixote e Sancho,  descobriram na cumeada dos montes outros trinta ou quarenta moinhos de vento. Assim que o cavaleiro andante avistou os vultos imensos e intimidadores vociferou, resoluto, mas algo temeroso, para o seu escudeiroi:
  - Hás-de convir comigo, meu bom Sancho, que desta vez são reais, não há lugar a engano…
  - Pois tem Vossa Mercê razão inteira – respondeu Sancho, enquanto soerguia a bota de couro e fazia esguichar o rubicundo líquido na direcção da boca sequiosa; - são infames gigantes, vis e desprezíveis criaturas às quais é mister dar batalha, querido amo.
   - Vê-se, amigo e leal Sancho – tornou-lhe o valoroso Quixote – que passados tantos anos na minha companhia continuas pouco cursado nestas nobres lides de cavalaria! Não desejas mais do que eu fazer serviço das notabilíssimas artes das armas. Mas terçar a espada com estes exércitos é a mais insana das loucuras…
    -Quer-me parecer que subestimais a vossa bravura, amo|  - acudiu Sancho, algo atónito com a aparente e abrupta mudança de ânimo do seu amo.
    - Nota, Sancho, que há neste mundo cautelas que os incautos confundem com cobardias; - tornou-lhe o cavaleiro andante em tom reprovador – que por detrás daquelas torres e hastes, nos compassos dos seus meandros, na monotonia dos volteios e rodopios; na apatia daquela couraça de aço e alumínio, esconde-se todo um intangível submundo que equivale ao mais cruento arraial de guerra. Não podemos arremessar lança e adarga pois não sabemos em que parte se situa o seu coração; é inútil desferir golpes porque ignoramos quais são os órgãos vitais… Não sabemos quem é o chefe pois a voz de comando se faz em surdina; desconhecemos as patentes das hostes já que tudo aparenta surgir por instinto autómato… No entanto, são bem reais e inclementes as suas arremetidas, que nos desenham nos costados rubros fios de espada.
      - Tanto assim, meu Senhor?! Pensava que o maior dano destes gigantes era o de desfearem a paisagem,,, - aduziu, horrorizado, o bom escudeiro Sancho.
       - Não só desfeiam como nos roubam a paisagem. Repara na silhueta dos montes, recortada pelas vergônteas destes gigantes eólicos! Crê-me, Sancho: se o território tem dono, a paisagem é da Humanidade, foi um crime hediondo perpetrado contra todos nós… morreram as árvores e plantaram colossos metálicos em seu lugar. Infeliz mudança, fiel amigo…
        - Mas para que servem, afinal, estes gigantes, senhor?
        - Dizem, que para obter energia elétrica mais barata, Sancho…
        - E nesse caso porque aumentam cada vez mais o preço dessa energia?!!!
        -“ Calla, Sancho”, que de Economia Lusa entendes tanto como de cavalaria! Não sabes tu que as empresas públicas destas bandas desafortunadas da Ibéria sendo sustentadas com o dinheiro do povo, ainda que arrecadem muitos lucros jamais os distribuem ou deduzem nos encargos desse mesmo povo agrilhoado… Ou sequer se apiedam do seu fado miserando… E se puderem agravá-lo, “zás!”, que é como quem diz “dale pa’riba!!!”… E além de tudo, Sancho, em nome da Ecologia cometem-se as mais execrandas malfeitorias ambientais…
       -“Pavorosos estes gigantes, Señor, lo digo mu yen serio”…
       - Intuo que começas a abrir os olhos, bom Sancho.   “Y te juro por los ojos de mi Dulcinea” ,em cujo brilho reside o único refúgio das minhas esperanças, que do treu lamento se fará eco um dia nessas bandas desafortunadas da Ibéria! Não sei é quando. Mas um dia será… E sem mais, o fidalgo esporeou o rocim e fez-se aos ares do Levante…
Mapone
   

       

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A VERDADE