sábado, 28 de agosto de 2021

UM NOVO MUNDO VEM AÍ

 O que está por vir em 2021, em 20 pontos, publicados recentemente nos EUA,

pela Revista The Economist:


1 – Os humanos querem-se socializar, novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.


2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.


3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online. O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo.


4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.


5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.


6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. ....
..Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.


7 – Empresas que não investem pelo menos 10% ou 20% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos.


8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.


9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.


10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.


11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Serão aceitos candidatos sem formação universitária para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.


12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. A vacina da COVID é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.


13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais.


14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.


15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.


16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.


17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.


18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.


19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente resolvem os problemas gerados no passado.


20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos. Você apenas tem que encontrar as novas rotas pessoais ou comerciais.
Fonte: The Economist

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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A DEMOCRACIA ACABOU...

 A democracia já acabou?


Mário Cabrita

23 Junho 2021 — 00:07


Ao longo do último mês, a propósito da reforma da Estrutura Superior das

Forças Armadas (FA), vários políticos e comentadores foram-nos

mimoseando com alguns dos maiores dislates, despautérios e equívocos da

nossa democracia. Entre os mais bizarros, incluíram-se estes:

"O assunto será discutido no local certo, no Parlamento, que é a casa mãe da

democracia..." Em teoria, é uma asserção inatacável. Na prática, o que

sucedeu? Primeiro, foi recusado o pedido de associações para serem ouvidas

na Comissão de Defesa Nacional (CDN). Seguiu-se a resolução,

incompreensível, de interpelar os Chefes Militares à porta fechada, como se

fossem tratar de segredos de Estado ao invés de matérias de conhecimento

público. Finalmente, a intervenção do CEMGFA (pró proposta do governo)

foi divulgada na comunicação social, ao contrário da dos outros Chefes

Militares (que se presumia contrária à proposição), que permaneceu na

esfera restrita dos parlamentares. Foi uma tentativa agressiva de calar

opiniões dissonantes, mais própria doutro tipo de regime.

Os deputados podem estar bem preparados em muitas matérias. Contudo,

em questões militares, nem todos estarão à vontade para as esmiuçar com

fundamento. Seria do mais elementar bom senso ouvirem opiniões distintas,

não para as seguirem, mas para se habilitarem a tomar uma decisão

alicerçada em todas as fontes de informação disponíveis.

"O professor Cavaco Silva devia estar calado, quando não sabe do que fala,

e nada sabe desta área..." É uma frase assassina. O objetivo era, claramente,

desacreditar, depreciar e quase humilhar uma figura com peso institucional

que, publicamente e com estrondo, discordou da reforma proposta pelo

governo e apoiada pelo seu próprio partido. Cavaco Silva foi primeiro-

ministro dez anos e Presidente da República e Comandante Supremo das

FA outros dez. O autor daquela afirmação usou linguagem inadmissível e

lamentável, demonstrando que, em política, a alguns tudo se autoriza,

mesmo achincalhar quem durante anos foi o seu líder político.

"Cavaco Silva não sabe nada, mas outros sabem, os oficiais-generais

sabem..." Na sequência da declaração anterior o entrevistado reconhece

aptidão e conhecimento dos militares sobre a matéria e a sua legitimidade

para intervir no debate. Então, por que razão não promoveu a sua audição?


Uma vez mais a intenção era calar e impedir que se adicionasse luz e

substância à polémica, em nome dum projeto que se queria sem

contraditório, a lembrar práticas habituais de um passado negro que

conhecemos bem.

"O projeto da reforma foi amplamente discutido antes de chegar à AR..." Se

isso aconteceu foi graças à intervenção dos militares, o que permitiu e

fomentou algum debate público, mesmo assim reduzido e só depois de

aprovado para levar à AR. Ficou claro que o promotor queria que a reforma

fosse validada de forma célere e sem a sujeitar à apreciação da comunidade.

"Conheço o pensamento corporativo dos militares..." Se entendermos o

corporativismo, no sentido negativo, como prática dum grupo que defende

os seus interesses em detrimento dos coletivos, a instituição militar, desde

1974, tem dado inúmeros exemplos de conduta totalmente oposta. Os

militares, por formação e convicção, colocam à frente os interesses

nacionais, só depois os institucionais e por último individuais. Isso não

impede que reajam quando se sentem lesados. Ao contrário de outros

grupos que procuram a satisfação de reivindicações recorrendo a

manifestações públicas, os militares exteriorizam-se pela palavra, o que

pode explicar que o poder político nunca tenha acolhido nenhum dos seus

anseios, até os mais insignificantes.

"Em democracia, quando há um embate entre civis e militares, eu sei

sempre de que lado é que estou (do dos civis)..." Onde estão a democracia e

a transparência? E o debate de ideias? E a dialética? As opiniões são

legítimas, mas o preconceito é intolerável e qualifica quem o utiliza.

"Estou de acordo com esta reforma, embora não a conheça..." Ouvimos

bem? Lapsus linguae? Pagamento de favores? Onde está a honestidade

intelectual? Isto sim, é corporativismo e seja qual for a justificação esta

posição é inconcebível e inaceitável.

"Respeito as FA na sua total submissão ao poder político civil..." Não, as

Forças Armadas obedecem aos órgãos de soberania competentes, nos

termos da Constituição e da Lei de Defesa Nacional. Obedecem e vão

continuar a obedecer. Sobre isso ninguém pode ter qualquer dúvida. Mas

submissão acrítica, sem questionar erros que podem comprometer as

missões das Forças Armadas, isso não. E entendida como subjugação e

vassalagem, como desejam alguns, em circunstância alguma!

As últimas semanas mostraram debilidades da democracia e falta de

qualidade de alguns dos seus intérpretes. Arrogância, incoerência,


incompetência e falta de dignidade e de sentido de Estado são demasiado

frequentes por parte de responsáveis dos poderes instituídos.

Apesar das dificuldades acrescidas provocadas pelo diploma recém-

aprovado pela CDN, as FA continuarão a empenhar-se, a sacrificar-se e a

dar o melhor de si para cumprir as missões e manter os níveis de excelência

a que habituaram os portugueses e a comunidade internacional. No final,

desejamos que cada um saiba assumir responsabilidades na atribulada

caminhada deste processo.

Tenente-general reformado