terça-feira, 4 de novembro de 2014

JOSÉ RÉGIO E O SEU BURRO






'José Régio e o seu burro' - por Hermínio Felizardo
 

      Soneto quase inédito
         

 Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,


Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
  

 
  

 JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969.

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