sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O EXEMPLO DE RAMALHO EANES

Ramalho Eanes, perante as dificuldades financeiras da Presidência

da República, vendeu. Sim, VENDEU A SUA PRÓPRIA CASA DE FÉRIAS, na

Costa da Caparica, para pagar os custos inerentes à Presidência da

República... Ou seja, custos que deveriam ser suportados pelo Estado.

Mais, não tendo, efetivamente, a Presidência fundos suficientes,

Ramalho Eanes mandou virar dois fatos (na altura ainda se usava

recompor e remendar a roupa), sendo que o alfaiate (do Norte) lhe

ofereceu tecido para lhe fazer outros dois, pois Ramalho Eanes não usava

Armani. Quando pretendia falar ou aconselhar-se com alguém, convidavao

não para jantar, mas para tomar chá no fim do jantar para evitar custos

desnecessários ao Estado. Consta até que lhe terão oferecido ações da

SLN-BPN, mas recusou.

Mas mais, muito mais.

Aquando do seu segundo mandato presidencial, Ramalho Eanes foi

confrontado com a aprovação, pela Assembleia da República, de uma lei,

especialmente criada com a intenção de lesar os seus legítimos interesses.

De facto, a chamada lei ad hominem (a lei para aquele homem), foi

criada para evitar que o General Ramalho Eanes viesse a acumular o seu

salário de Presidente da República com "quaisquer pensões de reforma ou

sobrevivência que auferiam do Estado", isto é, com a sua pensão de

General 4 estrelas. Mas, Ramalho Eanes não obstante estar consciente da

intenção dolosa desta lei soarista e das suas implicações na sua futura

reforma, não hesitou em promulgá-la. E, quando concluiu o mandato

presidencial, Eanes optou pela sua reforma enquanto Presidente, por

serem estas as suas últimas funções, prescindindo da sua reforma

enquanto General de 4 estrelas.

Anos depois, após parecer do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues,

segundo o qual todos os Presidentes deviam ser tratados de igual forma, a

referida lei foi revista por iniciativa de José Sócrates. E, não obstante,

poder ser ressarcido dos retroativos que lhe eram devidos e que se cifram

a 1.300 milhões de euros, Ramalho Eanes recusou recebê-los!

Ramalho Eanes é, portanto, um exemplo a seguir. E, por isso

mesmo, lhe dou cinco das suas estrelas!

É o único que merece todos os privilégios por ter sido Presidente da

Republica!

Bem haja General...

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