sexta-feira, 24 de julho de 2020

MODELADORES DE MENTES

domingo, 19 de julho de 2020

Afonso Lopes Vieira

quinta-feira, 9 de julho de 2020

ANARQUISTAS

 Vi este texto no mural de um
amigo e achei muito interessante... 
 -Filho, eu descobri estas coisas no teu armário...
- Qual é o problema de ter uma máscara do Anonymus e um taco de
Baseball?
 -tu usas isto?
- Não... quer dizer, às vezes.
- É que eu estou precisando, será que me emprestas?
- Precisando..? Para quê?
- É que eu li as coisas que tu vens escrevendo na internet...
- Você anda a ler o meu Face?
- Qual é o problema, não é publico?
- É, mas...
- Pois é, eu li o que escreveste, e...
- Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá, mas eu não vou
discutir, são as minhas idéias... Eu tenho 27 anos! Sou anarquista, e...
- Não! Eu achei legal! convenceste-me
- Convencio-o?? Do quê?
- Está tudo errado mesmo! Tu fizeste bem em nunca ter trabalhado. Eu li
o que escreveste e concordo. Agora eu sou anarquista também, como tu!
- Você o quê??? Pai, que história é essa?! Você está maluco??
- É, tu fizeste a minha cabeça! Tenho de quebrar tudo mesmo! Agora eu
sou “Old Black Block”!!
- Pai, você não pode!! Você é diretor de uma empresa enorme! E...

- Não sou mais não, larguei o meu emprego, e mandei o meu chefe tomar
no ... Mandei toda a gente lá tomar no ...
- Pai, você não pode largar o seu emprego, você está lá há 30 anos! Isso é
um absurdo!
- Posso sim, aliás já estou juntando uma grupo de amigos para ir lá e
partir tudo!
 - Partir tudo onde???
- No meu trabalho, vamos quebrar TUDO! Abaixo a opressão! Abaixo
tudo! Sou contra TUDO!!
- Você não pode fazer isso Pai!
- Posso sim! É só tu me emprestares a máscara e o taco de Baseball. Vens
comigo?
- Não, acho melhor não...
- É melhor vires também, porque agora que eu larguei tudo, a gente vai
ter que sair deste apartamento.
 - Sair daqui? E a gente vai morar onde??
- Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa Capitalista qualquer e
exigir o fim do Capitalismo!
- Pai, você não pode fazer isso, não pode abandonar tudo!
 - Estou indo, fui!
- Espera Pai! Paai! E a minha mesada, e o meu carro? Onde vou
morar?? E as minhas férias em Ibiza? As minhas compras em Miami? E
o meu computador, o meu tablet? E a minha internet de fibra ótica?
Volta aqui! Volta aqui, Pai! Voooooltaaaaaaa!!!


  Como dizia Margaret Thatcher: “A vida para
alguns é muito boa, mas só enquanto durar o
dinheiro... dos outros.”

É necessário mostrar que os jovens de hoje
abusam da condição de “rebeldes”.
Só se lembram que o movimento que defendem é
errado quando as suas mordomias são
atingidas!...

sexta-feira, 3 de julho de 2020

SOCIEDADES DE ADVOGADOS

Sociedades de advogados: Irmandades Secretas e Perversas..

Uma das mais poderosas sociedades de advogados nacional, a PLMJ, foi recentemente investigada no caso da “Máfia do Sangue”. Um dos seus sócios foi mesmo constituído arguido. Dois dos seus mais proeminentes representantes são José Miguel Júdice e Nuno Morais Sarmento, ambos advogados, políticos e comentadores televisivos, na RTP e na TVI. Nos seus programas semanais, ambos fugiram ao tema escaldante da corrupção nos negócios do sangue, com a cumplicidade dos jornalistas que, embevecidos, os entrevistavam.

Este é um modelo que representa o “modus faciendi” das sociedades de advogados. Usam a sua posição de comentadores nas televisões a seu bel-prazer para defender os interesses dos seus clientes e camuflar a informação negativa. Exemplos de personalidades de tripla face (políticos, comentadores e advogados) são muitos. Temos, assim, António Vitorino, sócio da firma “Cuatrecasas” ou Marques Mendes, da todo poderosa “Abreu Advogados”.

Sociedade igualmente relevante no panorama português é a “Morais Leitão, Galvão Teles Soares da Silva e Associados”. Lança jovens na política e no Direito como os ex-governantes Assunção Cristas, Adolfo Mesquita Nunes ou Paulo Núncio. Ou o actual advogado/deputado do CDS Francisco Mendes da Silva. Os interesses dos seus clientes são defendidos no comentário político televisivo na SIC por Lobo Xavier que comenta toda a actividade política e económica sem que os telespectadores se apercebam das suas ligações ao Grupo Mota-Engil, ao BPI e a outros tantos interesses.

É também destas sociedades de causídicos que sai a legislação que mais prejudica os portugueses, como a das ruinosas parcerias público-privadas, elaborada na “Jardim, Sampaio, Magalhães e Silva”, a que dão corpo e nome os socialistas Vera Jardim e Jorge Sampaio. Vera Jardim, que debate na rádio com Morais Sarmento, da já citada PLMJ. E até os interesses estrangeiros mais obscuros são representados por estas sociedades. A “Uria Menendez” vem defendendo, através do todo-poderoso Daniel Proença de Carvalho os interesses de Eduardo dos Santos, Ricardo Salgado e Sócrates. Proença faz comentário político na rádio sem revelar quem serve. Preside à Administração do “Jornal de Notícias” e pode assim censurar as vozes incómodas aos negócios dos seus clientes.


As sociedades de advogados são, em Portugal, as irmandades perversas do regime, as verdadeiras sociedades secretas. Fazem Leis, dominam a política, condicionam a comunicação social. E os seus membros actuam disfarçados.
MAS HÁ MAIS…E QUASE TODOS TÊM COMENTADORES AO SEU SERVIÇO…
DENTRO DA LINHA MAÇÓNICA …DEFENDEM-SE UNS AOS OUTROS…AS CRÍTICAS SÃO EM PRIVADO PARA ACERTO DE ESTRATÉGIAS E PREPARAR PRÓXIMOS DEBATES .. QUE NUNCA O SERÃO … APENAS FAIT DIVERS…MISE EN SCENE..

domingo, 14 de junho de 2020

UM POUCO DE VIEIRA


“Um pouco de Vieira”

Em 27 de Agosto de 2012, o Embaixador Lauro Moreira, publicava no seu blogue, “Quincasblog”, https://quincasblog.wordpress.com/2012/08/27/um-pouco-de-vieira/ um texto sobre o Padre António Vieira, com o título acima e que eram na verdade dois pequenos textos, o primeiro para nos recordar o perfil biográfico e profundamente humanista do jesuíta partilhado pelo Brasil e Portugal e o segundo para apresentação de um livreto contendo o texto da palestra que o também jesuíta, especialista em Vieira e professor de Relações Internacionais na UNB, José Carlos Aleixo, proferiu na Embaixada de Portugal em Brasília, a propósito do terceiro centenário da morte daquele que foi punido pela Inquisição, defendeu a causa dos judeus e dos gentios brasileiros contra os excessos dos colonos portugueses, além de ter denunciado “os maus tratos infligidos aos escravos na Bahia” e ainda ter exercido funções de representação da política externa portuguesa no período de reafirmação da restauração da independência após o domínio filipino.
Recordo que, sobre a causa dos judeus, cristãos novos e outras gentes humilhadas e ofendidas pela crueldade clerical inquisitorial, o Padre António Vieira e o representante dos cristãos novos, Francisco de Azevedo, redigiriam a acusação contra as crueldades da inquisição e que foi posteriormente apresentada junto do Papa Clemente X, o qual perante a veracidade dos relatos, ordenou, em 3 de outubro de 1674, a suspensão de todos os tribunais do Santo Ofício portugueses, o que infelizmente não se concretizou, porque a inquisição portuguesa não acatou a instrução papal. Ao contrário, desafiou-a tendo resistido àquela ordem por mais cinco anos, até Maio de 1679. O papel de António Vieira foi primordial para que essa condenação se cumprisse.
Cecil Roth registou o facto na sua obra, A History of the Marranos, tendo registado o seguinte:
Deixo-vos, pois, com o texto do Embaixador Lauro Moreira sobre o Padre António Vieira , que vale muito a pena ler, se o quereis ou desejais fazê-lo, sobretudo na atual circunstância de infâmia e indignação, porque as cabeças perdidas da ignorância e da arrogância ignorante me levam a refletir a quem interessa verdadeiramente essa acção de destruição de símbolos que esconde propósitos obscuros e prenunciam o estalar dos ovos da serpente num charco de trevas e de ódio.

https://quincasblog.wordpress.com/2012/08/27/um-pouco-de-vieira

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

REVOLUÇÃO INCULTURAL


Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.
Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.
Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.
O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores, que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia.

Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.
Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar do D.José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.
Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca.
Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.
Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
António Lobo Antunes