quinta-feira, 28 de outubro de 2021

OS ESRAELITAS NÃO BRINCAM EM SERVIÇO


Boas notícias

 

Os israelenses não fazem ilhas em forma de palmeiras, nem arranha-céus altíssimos, nem hotéis caríssimos, nem seus líderes usam carros com carroceria de prata maciça (clara alusão/menção/referência a Dubai e aos Emirados Árabes).

O orgulho do Estado de Israel é que em breve as suas tecnologias poderão ser usadas por *toda* a humanidade:

 

1. A Universidade de Tel Aviv está desenvolvendo uma vacina nasal que protegerá pessoas do *Alzheimer* e de acidentes cérebro-vasculares.

 

2. O Technion, Instituto de Tecnologia (Haifa), desenvolveu exame simples de sangue capaz de detectar diferentes tipos de *cânceres*.

 

3. O Centro Ichlov (Tel Aviv) isolou uma proteína que torna desnecessária a colonoscopia para detectar câncer de *cólon*, com um simples exame de sangue. O câncer de cólon mata anualmente cerca de 500.000 pessoas.

 

4. A *Acne* que para muitos não é nada e não mata ninguém, mas causa ansiedade e insatisfação em adolescentes. O Laboratório Curlight criou uma cura mediante emissão de Raios UV - alta intensidade, que liquida as bactérias que produzem a acne sem gerar complicações adicionais.

 

5. O Laboratório Given Imaging desenvolveu uma câmera minúscula em forma de pílulas que são engolidas e que transmitem milhares de fotos do *trato digestivo*. Estas fotos de alta qualidade (2 por segundo durante 8 horas) podem detectar pólipos, cânceres e fontes de sangramento. As fotos são enviadas a um chip que as armazena e envia a um computador. Ao final do processo, a câmera é eliminada pelo reto.

 

6. A Universidade Hebraica (Jerusalém) desenvolveu um neuro-estimulador elétrico (baterias) que é implantado no peito de pacientes com *Parkinson*, semelhante ao marcapasso. As emissões deste aparelho bloqueiam os sinais nervosos que produzem tremores.

 

7. O simples odor do hálito de um paciente pode detectar se um paciente tem câncer de *pulmão*. O Instituto Russel Berrie de Nanotecnologia criou sensores capazes de perceber e registrar 42 marcadores biológicos que indicam a presença do câncer de pulmão sem necessidade de biópsia.

 

8. É possível prescindir/dispensar a ação de *cateterismo* em muitos casos. Endopat é um dispositivo colocado entre os dedos indicadores, que pode medir o estado das artérias e prever a possibilidade de infarto nos 7 anos seguintes.

 

9. A Universidade de Bar Ilan estuda novo medicamento que combate vírus por via sanguínea. É chamado de Armadilha Vecoy, pois engana um *vírus* até conseguir sua auto-destruição. Muito útil para combater a Hepatite, e no futuro Aids e Ebola.

 

10. É possível que os cientistas israelenses do Centro Médico de Hadassah (Jerusalém) tenham descobertos a primeira cura de esclerose lateral amiotrófica, conhecida como Enfermidade de Lou *Gehring*, em um rabino ortodoxo. Stephen Hawking, famoso cientista britânico, sofria desta enfermidade e para se comunicar utilizava métodos inventados por cientistas israelenses.


terça-feira, 26 de outubro de 2021

O PRESENTE DE TROJAN

 

Presente de Trojan para Oeiras

O vereador da Câmara de Oeiras e o CEO do Taguspark perguntaram ao Embaixador da Rússia, na inauguração da obra oferecida pelos russos, qual é o estado de saúde do líder da oposição Alexei Naval

Há não muito tempo a sociedade portuguesa viveu uma discussão pública sobre a tentativa de demolição de um símbolo de Portugal, o Padrão dos Descobrimentos, que alguns políticos chamaram “o monumento do regime ditatorial”.

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Passados poucos meses, o CEO do Taguspark inaugura em Oeiras a obra “Yuri Gagarin” oferecida pela embaixada russa, com evidente teor ideológico, onde o maior elemento da obra é o símbolo da URSS, um dos  regimes ditatoriais mais duros do século passado, que matou e pôs na prisão milhares de pessoas, principalmente representantes da elite cultural e científica. No seu discurso, o CEO do TagusPark disse: “a História deve ser respeitada”

Ora bem! Afinal “respeitar a história” em Portugal é dependente de quê? Da quantidade de gás e petróleo e da atual potência militar da Rússia? Ou dos antigos “comunas” da Rússia que roubam o próprio povo e com esse dinheiro compram imóveis na zona de Oeiras?

Yuri Gagarin realmente foi um homem corajoso. Mas para ele conseguir ser o primeiro homem a ir o espaço, 15 repúblicas da URSS tornaram-se um enorme campo de concentração, sem respeito pela vida humana e com uma pobreza total. O mais importante construtor dos foguetes espaciais, o ucraniano Sergii Koroliv, foi preso pelo regime soviético e libertado só porque necessitavam dele para construir mísseis para a Segunda Guerra Mundial.

Será que o CEO do TagusPark quer aplicar semelhante modelo de gestão para ter grandes conquistas na sua empresa? Tudo a custo da pobreza e liberdade dos portugueses. O programa espacial da União Soviética tinha principalmente como objectivo transportar mísseis nucleares para o espaço. Será que Portugal, com este “respeito pela história”, quer também homenagear a Guerra Fria?

Já agora, o vereador do Câmara Municipal de Oeiras, Nuno Neto, e o CEO do Taguspark, Eduardo Correia, perguntaram ao Embaixador da Federação da Rússia, Mikhail Kamynin, na inauguração da obra oferecida pelos russos, qual é o estado de saúde do líder da oposição, Alexei Navalny, que está preso numa das mais terríveis prisões da Rússia? Não lhe perguntaram quando tenciona a Rússia desocupar os territórios da Ucrânia, Geórgia, Moldávia e Chechenia? Também não questionaram os diplomatas russos sobre a razão de o seu estado estar a perseguir a activista que divulgou os vídeos que mostram a tortura e os abusos sexuais nas prisões russas? E os repórteres independentes e as organizações dos direitos humanos?

Gostei da reação negativa da maioria dos portugueses nas redes sociais à obra russa de “história de totalitarismo” em Oeiras. Mais uma vez mostraram que é um povo que quer viver numa sociedade livre e humana.

Mas realmente preocupa-me que alguns politicos e altos dirigentes em Portugal não tenham aprendido com os erros do passado. “Ofertas russas” já tornaram Cuba, Venezuela, Correia de Norte e dezenas outros países do mundo numa desgraça social e política com regimes totalitários. Será querem este futuro para o próprio país ou acreditam que ditadores como Putin ou o comunista Lukashenko da Bielorussia que ao oferecerem estas “prendas” vão um dia mudar para democratas?

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

VALE A PENA ATÉ FIM

 VALE A PENA LER ATÉ AO FIM 

 Por Manuel Lopes da Costa, Empresário .Partner at BearingPoint.

                  Lisboa, Lisboa, Portugal

. 

 Esperei passar pela experiência de ser vacinado para escrever este artigo. Quis vivenciar o que toda a gente me ia relatando. E, de facto, estamos de parabéns! Estamos todos e, em particular, estão o senhor vice-almirante Gouveia e Melo e toda a instituição militar que representa.

 Esta deve ter sido a melhor decisão que este governo tomou, a de nomear, a 3 de fevereiro de 2021 “Vice-almirante Gouveia e Melo é o novo coordenador do Plano de Vacinação contra a covid-19” (in publico.pt). Com esta escolha, passámos a ter um plano altamente profissional. Um plano organizado ao mínimo detalhe, a funcionar às mil maravilhas e sem nada que possa ser imputado à sua concretização. Os centros de vacinação, todos eles sem exceção, funcionam tão bem que, sinceramente, quando foi a minha vez, vi-me obrigado a esfregar várias vezes os olhos e a beliscar-me, para me consciencializar que, nem estava a dormir, nem estava a ser vacinado num país nórdico. Tudo com “conta peso e medida”, sem exageros, mas na medida certa: desde a entrada, onde somos recebidos com gentileza, seguindo-se o preenchimento do impresso em mesas próprias e com canetas estrategicamente colocadas, passando pela zona dos computadores, a que se segue a zona de espera constituída por filas de cadeiras perfeitamente alinhadas. As pessoas são chamadas pela exata ordem em que chegaram — sem ninguém ser ultrapassado, sem chico espertismo — para uns cubículos de tamanho ideal para o ato da administração da vacina. Aí, os enfermeiros repetem, vezes sem conta, o mesmo procedimento, sempre sorridentes, sempre com uma palavra amiga, e fazem, outra e outra vez, as mesmas perguntas e dão os mesmos conselhos, fazendo-nos, no entanto, acreditar, a cada um de nós, que esta é a primeira vez que o fazem. Tudo termina numa sala de recobro, uma vez mais, organizada na perfeição, onde se aguarda, por razões de segurança, os trinta minutos estipulados de verificação no caso de surgir alguma reação adversa. Ao sair das instalações, verifiquei que, ao todo, tinham passado quarenta minutos e que tudo tinha sido, e continuava a ser, sequencial, que ninguém — e éramos muitos — protestou, levantou a voz, disse mal ou criticou fosse o que fosse. Mais: cheguei, bem à portuguesa, em cima da hora, com uns meros cinco minutos de antecedência e, ainda assim, fui vacinado à hora marcada — hora essa que foi registada por uma enfermeira que, orgulhosamente, exclamou: “continuamos a horas!”.

 Este é outro país, é algo digno de outro país. Ou talvez não. Na verdade, é a prova provada daquilo que todos sabemos: que os portugueses são os melhores trabalhadores do mundo em locais organizados, com procedimentos claros e precisos. Ora, a competência na execução deste processo, deve-se à instituição militar. Essa instituição, tantas vezes maltratada pela nossa sociedade civil, pelos ideais de alguma esquerda mas não só, tão incompreendida relativamente aos seus valores, procedimentos e disciplina, acabou por dizer “presente!” e fazer a diferença. Não nos podemos esquecer da pouca-vergonha que foi a coordenação do plano de vacinação enquanto esteve a cargo de um civil. Aconteceu de tudo um pouco, nomeadamente situações pouco edificantes ou dignas de um país de outras paragens. Desde o desvio de vacinas sem nexo, ao aproveitamento das ditas sobras por parte de autarcas, membros de instituições de solidariedade social e seus familiares, à vacinação de quem não tinha prioridade por aquela ou outra razão. O plano de vacinação, na altura, seguiu basicamente as leis do faroeste. O pior da nossa sociedade, da nossa mesquinhez, da nossa falta de organização, veio ao de cima sem qualquer esperança de que pudesse vir a ter solução.  Quem não se recorda de notícias como: “Bastonária da Ordem dos Enfermeiros diz que há hospitais e lares onde as vacinas para os profissionais de saúde estão a ser desviadas” (in TSF.pt de 21/01/2021), ou “Há mais um autarca que foi vacinado sem estar no grupo prioritário — “porque havia sobras” (in Observador.pt de 22/’1/2021) ou ainda “Desvio de vacinas. Há novas denúncias de alegados abusos” (in sicnoticias.pt de 02/02/2021).

 Estes são alguns exemplos do forrobodó a que todos assistimos até chegar o senhor vice-almirante e vestir o camuflado — que muitos, aparvalhadamente ou ignorantemente, criticaram — e, basicamente, pôr ordem no país relativamente a todo este processo. Não será certamente coincidência que, desde que Gouveia e Melo tomou conta da pasta, nunca mais houve uma única, repito, uma única, notícia sobre desvios, furtos ou manuseamento menos correto das vacinas ou de tudo o que a estas diz respeito. Os meus mais sinceros parabéns senhor vice-almirante! O senhor tem vindo, com a sua mestria e a sua capacidade de organização, a dignificar a instituição militar e o país e a mostrar que, em Portugal, é possível trabalhar com competência até nas circunstâncias mais complicadas. A instituição militar a que pertence, e que se baseia, antes de mais, na disciplina e no respeito (respeito pela hierarquia, respeito pela missão, respeito que cada um tem em realizar na perfeição, e na plenitude, a tarefa que lhe é confiada pela voz de comando — porque, caso contrário, pode colocar em causa a vida de todo um coletivo) é um exemplo que deveria ser seguido por muitas empresas e trabalhadores civis. A disciplina em aceitar cumprir os procedimentos para realizar as tarefas necessárias, tais quais foram idealizadas, e sem imediatamente procurar alternativas com vista ao facilitismo, o facto de aceitar que quem as concebeu e idealizou tem seguramente mais conhecimentos e mais experiência do que quem tem que as implementar, é a base fundamental para conseguirmos, coletivamente, aumentar os nossos índices de produtividade e criar uma sociedade mais respeitadora das missões que cabem a cada um de nós. Portugal tem muito a ganhar com a instituição militar. Com os seus ensinamentos, com os seus valores e, isto, por muito que isso possa custar a admitir por parte de algumas das suas elites.

 Ultimamente, dei comigo a pensar que, talvez, tenha sido um erro enorme o ter-se acabado com o Serviço Militar Obrigatório. Talvez não fossem precisos os 18 ou mesmo 22 meses (na Força Aérea e Marinha) obrigatórios como era no meu tempo mas, seguramente, três meses de recruta, a todas as portuguesas e portugueses com 18 anos, fariam muito bem a toda a sociedade. Transmitiriam, entre outros, disciplina, espírito de sacrifício, hábitos de higiene, respeito pelas instituições e pela hierarquia, admiração pela nação e pelos seus símbolos. Tudo valores que temos vindo a perder, eliminados porque, erradamente, o recrutamento militar foi conotado como uma prática pouco vanguardista, senão mesmo revivalista. E, assim, a nossa sociedade perdeu a hipótese de transmitir às suas filhas e filhos um conjunto de valores fundamentais, permitindo que vivenciassem, em sã convivência, vários jovens oriundos de diferentes classes sociais, com graus de escolaridade diferentes, algo que hoje não é nada usual. Estes jovens, durante esse tempo, criariam relações de camaradagem e respeito pelas realidades diferentes de uns e outros, algo que lhes seria certamente muito útil para as suas vidas profissionais. Os futuros líderes entenderiam melhor os seus liderados, assim como os futuros trabalhadores demonstrariam maior respeito pelos seus chefes.

 Princípios esses que, como podemos diariamente verificar, nos fazem muita falta. A seriedade, a honestidade, o brio pelo correto e atempado cumprimento de tarefas e missões, é algo que a instituição militar nos pode e deveria transmitir, enriquecendo grandemente a sociedade civil como um todo. E, para tal, bastaria investir três meses de uma vida. Só três meses em que, em vez de, durante esse período, correr para os concertos e os festivais ou fazer Interrail, poderíamos ganhar competências, comportamentos, sentido de responsabilidade e coluna vertebral, tudo o que tanta falta nos faz.

 Senhor vice-almirante, não existem palavras para lhe agradecer o que está a fazer pelo país. Se alguém merece uma medalha, a mais alta condecoração nacional, uma Ordem da Torre e Espada, atrever-me-ia a propor ao senhor Presidente da República, que seja o senhor. Se alguém merece uma promoção, e que todos os portugueses entenderiam como justa e merecida, é o senhor. Ganhando dez vezes menos que muitos dos nossos gestores, e de forma sacrificada, sem que nunca se lhe tenha ouvido uma única queixa, o senhor lançou mãos à obra e fez mais pelo país em quatro meses do que muitos alguma vez farão numa vida cheia de privilégios. Se, ao passar na rua, a população reconhecida lhe agradecer, não se espante. Tenha muito orgulho pelo que foi capaz de concretizar num ambiente muito complicado — e sabe Deus com que sacrifícios e contra que marés teve de remar para conseguir que Portugal estivesse a ser vacinado a bom ritmo. E, acima de tudo, honrou a sua corporação, honrou a Marinha, honrou a instituição militar. Parabéns, tornou-se um verdadeiro exemplo, uma referência para todos nós.

 

 

sábado, 28 de agosto de 2021

UM NOVO MUNDO VEM AÍ

 O que está por vir em 2021, em 20 pontos, publicados recentemente nos EUA,

pela Revista The Economist:


1 – Os humanos querem-se socializar, novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.


2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.


3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online. O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo.


4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.


5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.


6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. ....
..Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.


7 – Empresas que não investem pelo menos 10% ou 20% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos.


8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.


9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.


10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.


11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Serão aceitos candidatos sem formação universitária para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.


12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. A vacina da COVID é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.


13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais.


14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.


15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.


16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.


17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.


18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.


19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente resolvem os problemas gerados no passado.


20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos. Você apenas tem que encontrar as novas rotas pessoais ou comerciais.
Fonte: The Economist

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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A DEMOCRACIA ACABOU...

 A democracia já acabou?


Mário Cabrita

23 Junho 2021 — 00:07


Ao longo do último mês, a propósito da reforma da Estrutura Superior das

Forças Armadas (FA), vários políticos e comentadores foram-nos

mimoseando com alguns dos maiores dislates, despautérios e equívocos da

nossa democracia. Entre os mais bizarros, incluíram-se estes:

"O assunto será discutido no local certo, no Parlamento, que é a casa mãe da

democracia..." Em teoria, é uma asserção inatacável. Na prática, o que

sucedeu? Primeiro, foi recusado o pedido de associações para serem ouvidas

na Comissão de Defesa Nacional (CDN). Seguiu-se a resolução,

incompreensível, de interpelar os Chefes Militares à porta fechada, como se

fossem tratar de segredos de Estado ao invés de matérias de conhecimento

público. Finalmente, a intervenção do CEMGFA (pró proposta do governo)

foi divulgada na comunicação social, ao contrário da dos outros Chefes

Militares (que se presumia contrária à proposição), que permaneceu na

esfera restrita dos parlamentares. Foi uma tentativa agressiva de calar

opiniões dissonantes, mais própria doutro tipo de regime.

Os deputados podem estar bem preparados em muitas matérias. Contudo,

em questões militares, nem todos estarão à vontade para as esmiuçar com

fundamento. Seria do mais elementar bom senso ouvirem opiniões distintas,

não para as seguirem, mas para se habilitarem a tomar uma decisão

alicerçada em todas as fontes de informação disponíveis.

"O professor Cavaco Silva devia estar calado, quando não sabe do que fala,

e nada sabe desta área..." É uma frase assassina. O objetivo era, claramente,

desacreditar, depreciar e quase humilhar uma figura com peso institucional

que, publicamente e com estrondo, discordou da reforma proposta pelo

governo e apoiada pelo seu próprio partido. Cavaco Silva foi primeiro-

ministro dez anos e Presidente da República e Comandante Supremo das

FA outros dez. O autor daquela afirmação usou linguagem inadmissível e

lamentável, demonstrando que, em política, a alguns tudo se autoriza,

mesmo achincalhar quem durante anos foi o seu líder político.

"Cavaco Silva não sabe nada, mas outros sabem, os oficiais-generais

sabem..." Na sequência da declaração anterior o entrevistado reconhece

aptidão e conhecimento dos militares sobre a matéria e a sua legitimidade

para intervir no debate. Então, por que razão não promoveu a sua audição?


Uma vez mais a intenção era calar e impedir que se adicionasse luz e

substância à polémica, em nome dum projeto que se queria sem

contraditório, a lembrar práticas habituais de um passado negro que

conhecemos bem.

"O projeto da reforma foi amplamente discutido antes de chegar à AR..." Se

isso aconteceu foi graças à intervenção dos militares, o que permitiu e

fomentou algum debate público, mesmo assim reduzido e só depois de

aprovado para levar à AR. Ficou claro que o promotor queria que a reforma

fosse validada de forma célere e sem a sujeitar à apreciação da comunidade.

"Conheço o pensamento corporativo dos militares..." Se entendermos o

corporativismo, no sentido negativo, como prática dum grupo que defende

os seus interesses em detrimento dos coletivos, a instituição militar, desde

1974, tem dado inúmeros exemplos de conduta totalmente oposta. Os

militares, por formação e convicção, colocam à frente os interesses

nacionais, só depois os institucionais e por último individuais. Isso não

impede que reajam quando se sentem lesados. Ao contrário de outros

grupos que procuram a satisfação de reivindicações recorrendo a

manifestações públicas, os militares exteriorizam-se pela palavra, o que

pode explicar que o poder político nunca tenha acolhido nenhum dos seus

anseios, até os mais insignificantes.

"Em democracia, quando há um embate entre civis e militares, eu sei

sempre de que lado é que estou (do dos civis)..." Onde estão a democracia e

a transparência? E o debate de ideias? E a dialética? As opiniões são

legítimas, mas o preconceito é intolerável e qualifica quem o utiliza.

"Estou de acordo com esta reforma, embora não a conheça..." Ouvimos

bem? Lapsus linguae? Pagamento de favores? Onde está a honestidade

intelectual? Isto sim, é corporativismo e seja qual for a justificação esta

posição é inconcebível e inaceitável.

"Respeito as FA na sua total submissão ao poder político civil..." Não, as

Forças Armadas obedecem aos órgãos de soberania competentes, nos

termos da Constituição e da Lei de Defesa Nacional. Obedecem e vão

continuar a obedecer. Sobre isso ninguém pode ter qualquer dúvida. Mas

submissão acrítica, sem questionar erros que podem comprometer as

missões das Forças Armadas, isso não. E entendida como subjugação e

vassalagem, como desejam alguns, em circunstância alguma!

As últimas semanas mostraram debilidades da democracia e falta de

qualidade de alguns dos seus intérpretes. Arrogância, incoerência,


incompetência e falta de dignidade e de sentido de Estado são demasiado

frequentes por parte de responsáveis dos poderes instituídos.

Apesar das dificuldades acrescidas provocadas pelo diploma recém-

aprovado pela CDN, as FA continuarão a empenhar-se, a sacrificar-se e a

dar o melhor de si para cumprir as missões e manter os níveis de excelência

a que habituaram os portugueses e a comunidade internacional. No final,

desejamos que cada um saiba assumir responsabilidades na atribulada

caminhada deste processo.

Tenente-general reformado

terça-feira, 25 de maio de 2021

MENTEM

 Mentiuntur, qui dicunt se non sentire Deum; nam etsi affirment interdiu; noctu tamen et soli dubitant.


Mentem aqueles que dizem que não sentem Deus; pois, ainda que afirmem isto de dia, contudo, durante a noite, quando estão sós, duvidam.


ATERRADORA PROFECIA DE ANTÓNIO BARRETO

 Aterradora profecia de António

Barreto

Publicado por Mtv24 Redação em 1 de Outubro de 2020 | 21:08

Uma profecia feita com a lucidez e o realismo de António

Barreto. A LER com atenção, pois é deveras preocupante e já

se encontra em desenvolvimento


Republicanos, corporativistas, fascistas, comunistas e até democratas

mostraram, nos últimos séculos, que se dedicaram com interesse à revisão

seletiva da História, assim como à censura e à manipulação.

É triste confessar, mas ainda estamos para ver até onde vão os revisores

da História. Uma coisa é certa: com a ajuda dos movimentos antirracistas, a

colaboração de esquerdistas, a covardia de tanta gente de bem e o

metabolismo habitual dos reacionários, o movimento de correção da História

veio para ficar.

Serão anos de destruição de símbolos, de substituição de heróis, de

censura de livros e de demolição de esculturas. Até de retificação de

monumentos. Além da revisão de programas escolares e da reescrita de

manuais.

Tudo, com a consequente censura de livros considerados impróprios,

seguida da substituição por novos livros estimados científicos, objetivos,

democráticos e igualitários. A pujança deste movimento através do mundo é

tal que nada conseguirá temperar os ânimos triunfadores dos novos

censores, transformados em juízes da moral e árbitros da História.

Serão criadas comissões de correção, com a missão de rever os manuais

de História (e outras disciplinas sensíveis como o Português, a Literatura, a

Geografia, o Meio Ambiente, as Relações Internacionais…), a fim de

expurgar a visão bondosa do colonialismo, as interpretações glorificadoras

dos descobrimentos e os símbolos de domínio branco, cristão, europeu e

capitalista.


Comissões purificadoras procederão ao inventário das ruas e locais que

devem mudar de nome, porque glorificam o papel dos colonialistas e dos

traficantes de escravos. Farão ainda o levantamento das obras de arte

públicas que prestam homenagem à política imperialista, assim como aos

seus agentes. Já começou, aliás, com a substituição do Museu dos

Descobrimentos pelo Memorial da Escravatura.

Teremos autoridades que tudo farão para retirar os objetos antes que as

hordas cheguem e será o máximo de coragem de que serão capazes.

Alguns concordarão com o seu depósito em pavilhões de sucata. Outros

ainda deixarão destruir, gesto que incluirão na pasta de problemas

resolvidos.

Entretanto, os Centros Comerciais Colombo e Vasco da Gama esperam

pela hora fatal da mudança de nome.

Praças, ruas e avenidas das Descobertas, dos Descobrimentos e dos

Navegantes, que abundam em Portugal, serão brevemente mudadas.

Preparemo-nos, pois, para remover monumentos com Albuquerque, Gama,

Dias, Cão, Cabral, Magalhães e outros, além de, evidentemente, o Infante

D. Henrique, o primeiro a passar no cadafalso. Luís de Camões e Fernando

Pessoa terão o devido óbito. Os que cantaram os feitos dos exploradores e

dos negreiros são tão perniciosos quanto os próprios. Talvez até mais, pois

forjaram a identidade e deram sentido aos mitos da nação valente e imortal.

Esperemos para liquidar a toponímia que aluda a Serpa Pinto, Ivens,

Capelo e Mouzinho, heróis entre os mais recentes facínoras. Sem esquecer,

seguramente, uns notáveis heróis do colonialismo, Kaúlza de Arriaga, Costa

Gomes, António de Spínola, Rosa Coutinho, Otelo Saraiva de Carvalho,

Mário Tomé e Vasco Lourenço.

Não serão esquecidos os cineastas, compositores, pintores, escultores,

escritores e arquitetos que, nas suas obras, elogiaram os colonialistas,

cúmplices da escravatura, do genocídio e do racismo. Filmes e livros serão

retirados do mercado.

Pinturas murais, azulejos, esculturas, baixos-relevos, frescos e painéis de

todas as espécies serão destruídos ou cobertos de cal e ácido. Outras

comissões terão o encargo de proceder ao levantamento das obras de arte

e do património com origem na África, na Ásia e na América Latina e que se

encontram em Portugal, em mãos privadas ou em instituições públicas, a

fim de as remeter prontamente aos países donde são provenientes.

Os principais monumentos eretos em homenagem à expansão, a começar

pelos Jerónimos e pela Torre de Belém, serão restaurados com o cuidado

de lhes retirar os elementos de identidade colonialista. Os memoriais de

homenagem aos mortos em guerras do Ultramar serão reconstruídos a fim

de serem transformados em edifícios de denúncia do racismo. Não há

liberdade nem igualdade enquanto estes símbolos sobreviverem.


Muitos pensam que a História é feita de progresso e desenvolvimento. De

crescimento e melhoramento. Esperam que se caminhe do preconceito para

o rigor. Do mito para o facto. Da submissão para a liberdade.

Infelizmente, tal não é verdade. Não é sempre verdade. Republicanos,

corporativistas, fascistas, comunistas e até democratas mostraram, nos

últimos séculos, que se dedicaram com interesse à revisão seletiva da

História, assim como à censura e à manipulação.

E, se quisermos ir mais longe no tempo, não faltam exemplos. Quando os

revolucionários franceses rebatizaram a Catedral de Estrasburgo, passando

a designá-la por Templo da Razão, não estavam a aumentar o grau de

racionalidade das sociedades. Quando o altar-mor de Notre Dame foi

chamado de Altar da Liberdade caminharam alegremente da superstição

para o preconceito.

E quando os bolchevistas ocuparam a Catedral de Kazab, em São

Petersburgo e apelidaram o edifício de Museu das Religiões e do Ateísmo,

não procuravam certamente a liberdade e o pluralismo. E também podemos

convocar os Iconoclastas de Istambul, os Daesh de Palmira ou os Taliban

de Bamiyan que destruíram símbolos, combateram a religião e tentaram

apropriar-se tanto do presente como do passado.

Os senhores do seu tempo, monarcas, generais, bispos, políticos,

capitalistas, deputados e sindicalistas gostam de marcar a sociedade,

romper com o passado e afastar fantasmas. Deuses e comendadores,

santos e revolucionários, habitam os seus pesadelos. Quem quer exercer o

poder sobre o presente tem de destruir o passado.

Muitos de nós pensávamos, há cinquenta anos, que era necessário rever os

manuais, repensar os mitos, submeter as crenças à prova do estudo, lutar

contra a proclamação autoritária e defender com todas as forças o debate

livre.

É possível que, a muitos, tenha ocorrido que faltava substituir uma ortodoxia

dogmática por outra. Mas, para outros, o espírito era o de confronto de

ideias, de debate permanente e de submissão à crítica pública.

O que hoje se receia é a nova dogmática feita de novos preconceitos. Não

tenhamos ilusões.

Se as democracias não souberem resistir a esta espécie de vaga que se

denomina libertadora e igualitária, mergulharão rapidamente em novas eras

obscurantistas.

António Barreto

segunda-feira, 24 de maio de 2021

OBSERVATÓRIOS A MAIS E RESULTADOS A MENOS

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

UM ESTADISTA SÉRIO QUE FAZ LEMBRAR DIÓGENES

 Rodrigo AlvesO ESTADISTA - PEDRO PASSOS COELHO

ia o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.
O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro. Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta, de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta- acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”. O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.
Fernando Dacosta
Nota: Já escrevi algures no Expresso um comentário sobre Ramalho Eanes, mas sinto-me na obrigação de dizer algo mais e que me foi contado por mais que uma pessoa.
Disseram-me que perante as dificuldades da Presidência teve de vender uma casa de férias na Costa de Caparica e ainda que chegou a mandar virar dois fatos, razão pela qual um empresário do Norte lhe ofereceu tecido para dois. Quando necessitava de um conselho convidava as pessoas para depois do jantar, aos quais era servido um chá por não haver verba para o jantar. O policia de guarda em vez de estar na rua de plantão ao frio e chuva mandou colocá-lo no átrio e arranjou uma cadeira para ele não estar de pé. Consta que também lhe ofereceram acções da SLN-BPN, mas recusou."
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