sexta-feira, 17 de junho de 2016

P0EMA DE PEDRO BARROSO

Venho aqui pedir desculpa
de não ser evoluído,
apesar destas campanhas
na rádio, na televisão,
em toda a parte, insistindo
na urgência do assunto…
Eu não consigo gostar;
- não consigo mesmo, pronto.
Sei que pertence ser gay,
toda a gente deve ser.
Mas eu, lamentavelmente
não sou como toda a gente;
Como aconteceu... não sei,
peço desculpa por isso,
mas confesso: sou… diferente.
Sei que vos pode ofender
esta minha enfermidade,
pois um gajo que assim pensa
hoje em dia, não tem nexo;
deveria ser banido,
expulso da comunidade.
É uma vergonha indecente
Gostar de mulher, ter filhos
Casar, afagar, perder-se
Com pessoa doutro sexo!
Uma nojeira repelente;
Dar-lhe, até, beijos na boca
em público! E declarar
Esta sua preferência
Que eu nem sei classificar!
Tenho uma vergonha louca
E desejo penitência
por tal desconformidade,
retardamento, machismo,
doença, fatalidade!
Já tentei tudo: - inscrevi-me
em saunas, aulas de dança
cursos de perfumaria
origami, greco romana,
ioga - para ter ousadia
boxe - p’ra ganhar confiança...
Mas quando chega o momento
De optar… sou… decadente,
Recorrente e insistente.
Opróbrio raro e demente,
Ver uma mulher seduz-me,
Faz-me vibrar, deslumbro.
Vê-la falar, elegante;
Vê-la deslizar, sensual
Como vestal, deslumbrante
Seu peito assim, saltitante
Sua graça embriagante
olho com gosto, caramba,
lamento ser tão ...normal.
Mas eu confesso que sinto
- neste corpo tão cansado
Que da vida já viu tanto...
Ainda sinto um desejo
Que m’ envergonha bastante
Por ser já tão deslocado
tão antigo, assim tão fora
do mais moderno critério.
Valia mais estar calado
Mas amigos, já agora
Assumo completamente:
- Tenho esse problema sério.
Nunca integrarei partidos
Onde não sou desejado.
No planeta das tais cores
não tenho dia aprazado,
nem bandeira, nem veado,
nem “orgulho” especial!
Sou mesmo do “outro lado”
dito “heterossexual”
e já me chateia um bocado
Ter que dizer, embaçado,
que me atrai o feminino
e sou apenas “normal”!
- e, portanto, avariado.
Mas… mesmo assim, - saudosista,
imensamente atrasado,
terrivelmente cercado,
conservador nesse ponto,
foleiro, desajustado...
perdoai-me tal pecado
- Não me sinto ...assim tão mal!

 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

KADAFI TINHA RAZÃO

Quem falava assim não era gago

Velha raposa do deserto “filmou” o futuro nesta entrevista. Os aprendizes de feiticeiro, americanos, franceses, ingleses, canadianos e comandantes NATO desejosos de mostrar serviço esqueceram-se, em Março de 2011, de pensar nas consequências do derrube de Gaddafi apesar do que já estava acontecendo no pós derrube de Saddam (2003).
Hoje continuamos a ter gente “competente” a tentar resolver a avalanche de refugiados com os resultados conhecidos. Esperam-nos dias negros!
MS

OS POVOS DO NORTE DE AFRICA SÓ ESTÃO BEM QUANDO GOVERNADOS POR MÃO FORTE.

ADIVINHEM QUEM LIXOU A CAIXA OU SEJA O POVO

Adivinhem quem lixou a Caixa


Com Armando Vara, a Caixa transformou-se num imenso caldeirão onde os mais variados interesses se foram servir.
       


José Sócrates foi eleito primeiro-ministro em Março de 2005. Três meses e meio depois (Agosto de 2005) correu com o anterior presidente da Caixa Geral Depósitos, que não chegou a aquecer o lugar (Vítor Martins, 10 meses no cargo), e nomeou Armando Vara administrador, com a responsabilidade de gerir as participações financeiras da CGD em várias empresas estratégicas. Sete meses depois, a comunicação social anunciava que os seus poderes haviam sido “reforçados”. Cito o PÚBLICO de 9 de Março de 2006: “Armando Vara assumiu agora as direcções de particulares e de negócios das regiões de Lisboa e do Sul, assim como a direcção de empresas da zona Sul. Entre as suas competências estão ainda a coordenação das participações financeiras do banco público, EDP (4,78%), PT (4,58%), PT Multimédia (1,27%), BCP (2,11%) e Cimpor (1,55%).”
Vara permaneceu três anos como administrador da Caixa Geral de Depósitos, até sair em 2008 para a vice-presidência do Millenium BCP, com o dobro do salário, o sucesso que se conhece e um pedido de licença sem vencimento para poder continuar nos quadros da Caixa. Ainda em representação da CGD, Vara foi administrador não-executivo da PT, desempenhando um papel decisivo na oposição à OPA da Sonae em 2006, devido aos poderes mágicos da golden share. Justiça lhe seja feita: não se pode dizer que a CGD tenha sido um tacho para Armando Vara. Foi muito pior do que isso: a Caixa transformou-se num imenso caldeirão onde os mais variados interesses se foram servir, cabendo a Vara decidir quem enchia a gamela. (Ouvido no âmbito da Operação Marquês a propósito do empreendimento de Vale do Lobo, Armando Vara recusou tal ideia, tendo declarado que estas decisões nunca eram aprovadas por uma só pessoa, mas por um colectivo da CGD.)
E que gamelas encheu a Caixa nos últimos anos? O Correio da Manhã teve acesso a uma auditoria recente e revelou a lista dos maiores credores do banco. A lista está ordenada por exposição ao risco de crédito, mas eu prefiro ordená-la pelas imparidades já registadas – e aí o cenário é simultaneamente desolador e esclarecedor. No topo da lista está o grupo Artlant, que tencionava construir em Sines um daqueles megaprojectos PIN pelos quais o engenheiro Sócrates se pelava: uma “unidade industrial de escala mundial” para a produção de 700.000 toneladas/ano de um componente do poliéster, que levaria à “consolidação do cluster petroquímico da região de Sines”, segundo um comunicado do Conselho de Ministros de Junho de 2007. José Sócrates chegou a lançar a primeira pedra em Março de 2008 e agora cabe-nos a nós apanhar os calhaus: 476 milhões de dívida, 214 milhões em imparidades.
Em segundo lugar (imparidades: 181 milhões; exposição: 271 milhões) estão as Auto-estradas Douro Litoral. São 79 quilómetros adjudicados em Dezembro de 2007 e cada milímetro de alcatrão deve hoje três euros e meio à CGD – ou seja, a mim e a si, caro leitor. Em terceiro vem o famoso empreendimento de Vale do Lobo, o tal com o qual o Ministério Público está a tentar agarrar José Sócrates, e que tem uma astronómica dívida de 283 milhões (imparidades: 138 milhões). Segue-se um grupo imobiliário espanhol que não conheço (Reyal Urbis), mas que fiquei com muita vontade de conhecer, e dois nossos velhos conhecidos: o grupo Espírito Santo e o grupo Lena, todos com dívidas acima dos 200 milhões. Digam-me: com uma lista destas, alguém se espanta por a Caixa estar a precisar de quatro mil milhões? Eu não.
TANTO VIGARISTAS, MEU DEU!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

E QUAL A RAZÃO DO GAZ DE BOTIJA NÃO DESCER?








A descida das tarifas vai ser aplicada diretamente aos comercializadores que as transmitem aos consumidores nas faturas de fornecimento, afetando todos os consumidores
O preço do gás natural desce 13,3% para os consumidores domésticos, 14,6% para os empresariais e 20,2% para os consumidores industriais a partir de 01 de julho, anunciou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
Esta nova descida das tarifas, a segunda em 2016, beneficia todos os consumidores de gás natural (cerca de 1,4 milhões) devido à redução das tarifas de acesso às redes determinada pelo regulador do setor energético.
As tarifas de acesso às redes são aplicadas diretamente aos comercializadores que as transmitem aos consumidores finais nas faturas de fornecimento, pelo que esta redução se reflete na fatura de todos os consumidores de gás natural, quer estejam no mercado regulado ou no mercado liberalizado.
No global, a partir de julho, a descida acumulada será de 18,5% para os consumidores domésticos, 21,1% para os consumidores empresariais e 28,4% para os consumidores industriais.
A 01 de maio, as tarifas do gás tinham descido - 6,1% para os consumidores domésticos (com consumos abaixo dos 10.000 metros cúbicos), 7,5% para os consumidores empresariais (baixa tensão acima dos 10.000 metros cúbicos) e 10,2% para os consumidores industriais (média tensão), beneficiando da queda da cotação do petróleo.







ADSE

Tribunal de Contas alerta para “desmantelamento faseado” da ADSE


Relatório diz que permanência debaixo da alçada do Ministério da Saúde pode gerar conflito de interesses.
TdC diz que ADSE é sistema complementar do SNS tal como os seguros. NUNO FERREIRA SANTOs

     Tópicos

O adiamento da refundação da ADSE, a sua descapitalização e a redução do pacote de benefícios oferecidos “podem resultar no eventual desmantelamento faseado” do sistema complementar de saúde dos funcionários e aposentados do Estado. A chamada de atenção é deixada pelo Tribunal de Contas (TdC) no relatório que avalia o seguimento dado pelo anterior e pelo actual Governo às recomendações deixadas nas auditorias feitas entre 2011 e 2014.
“O adiamento sucessivo da decisão sobre a refundação da ADSE, a ausência de explicação sobre o racional do eventual retorno do financiamento da ADSE através dos impostos, bem como o recurso a formas de descapitalização da ADSE ou ainda a restrição do pacote de benefícios sem a participação dos quotizados/financiadores, podem resultar no eventual desmantelamento faseado da ADSE”, lê-se no relatório.
Neste contexto, a concorrência do sector segurador surge também como uma ameaça, uma vez que ele "beneficia com o desmantelamento da ADSE ou com a saída por renúncia" dos seus quotizados.
No documento, o TdC tece duras críticas à actuação dos vários Governos e do Estado na gestão da ADSE, notando que a têm vindo "a instrumentalizar para realizarem as suas políticas financeiras e sociais, descapitalizando-a, em prejuízo da sua sustentabilidade e à revelia da participação dos quotizados/financiados/beneficiários nessas decisões”.
O Tribunal considera que esta é uma das grande ameaças à sustentabilidade e à própria existência do sistema. Mas há outras, nomeadamente o entendimento do ministro da Saúde de que o rendimento disponível dos trabalhadores e aposentados da função pública entregue de forma voluntária sob a forma de descontos à ADSE, “pode ser utilizado” para financiar o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Os juízes vão mais longe e receiam que a permanência da gestão da ADSE na alçada do Ministério da Saúde, entidade que também tutela o SNS, exponha o sistema complementar da função pública a “um potencial conflito de interesses”.
É nesse sentido que aconselham o ministro Adalberto Campos Fernandes a zelar para que a sustentabilidade do sistema “não seja prejudicada por conflitos de interesses” com os objectivos da tutela no âmbito do SNS e a assegurar que o alargamento da ADSE a novos beneficiários terá como único critério a “melhoria" da sua sustentabilidade.
Estas recomendações surgem numa altura em que há um grupo de trabalho, liderado pelo economista Pedro Pita Barros, a estudar a reformulação do governo da ADSE, que já apresentou o seu relatório preliminar.

Défices já a partir de 2019

A entidade actualmente liderada por Carlos Morais Antunes defende que o alargamento da ADSE a novos quotizados “é condição sine qua non para a sobrevivência a prazo" do sistema complementar de saúde. E lembra que, actualmente por cada quotizado que efectua descontos, existem 1,5 beneficiários não contribuintes, devido à existência de mecanismos de solidariedade dentro da ADSE que deviam ser suportados pelo Orçamento do Estado e não pelos funcionários públicos e aposentados que têm de pagar uma quota mensal de 3,5%.
O Tribunal alerta que é “errado pressupor que a ADSE é sustentável a prazo na sua configuração actual”. E citando um estudo realizado por uma entidade independente, a pedido da própria direcção-geral que gere a ADSE, refere que a “ADSE não é sustentável para além de 2024, apresentando défices a partir de 2019”. Mas se o crescimento anual da despesa for superior ao considerado nesse estudo, os défices podem começar a surgir “ a partir de 2017” e em 2020 deixará de ser sustentável.
O TdC recorda que a ADSE é, desde 2014, totalmente financiada pelos descontos dos seus quotizados e não é um benefício concedido pelo Estado aos seus trabalhadores nem um sistema substitutivo do SNS. É sim uma cobertura complementar de cuidados de saúde e um sistema complementar ao SNS – à semelhança dos seguros privados.
Destaca ainda que ao deixar de financiar a ADSE, o Estado privatizou a receita e lembra que ainda que os descontos para o sistema pudessem ser considerados receita pública, “esta seria consignada a determinado fim”. O próprio Tribunal Constitucional deixou claro que se destina “apenas a financiar o pagamento dos benefícios concedidos pela ADSE aos seus beneficiários”, lembra o organismo.
PARA ONDE FORAM OS 139 MILHÕES DE SALDO POSITIVO DO ANO DE 2015?

sábado, 11 de junho de 2016

MATARAM A PRIMAVERA

Viva a selvajaria


A Primavera está ser morta à medida que nasce. É um acto químico de censura.
Na Inglaterra mais de 90% dos prados contêm misturas de 5 flores selvagens que nunca coexistiram espontaneamente nas paisagens inglesas. Vieram todas de pacotes de sementes, ubíquas e baratas, que se proclamam como “flores selvagens”.
Em Portugal também causam feridas nos olhos as flores de cores brilhantes e duradouras de mais que provêm dos sortidos económicos que se compram nos supermercados da LIDL.
Aqui em Colares, mal começam a nascer as papoilas, os malmequeres e dezenas de outras plantas maravilhosas (como os cardos roxos e as violetas), aparecem brigadas de pessoas mal pagas, exploradas e sacrificadas, cuja horrenda missão é chover glifosato assassino sobre as plantas que nos deram a alegria de nascerem à beira das estradas.
Mataram as papoilas. Mataram as combinações espontâneas das flores de Maio e de Junho. Assistimos à matança. Foi horrível. Mataram a Primavera. Foi como se o mundo inteiro à nossa volta tivesse passado para preto-e-branco.
Entretanto a Bayer - a bilionária e gigantesca fábrica que nos deu a magnífica Aspirina  - processou a União Europeia por esta ter dito que o pesticida chamado thiacloprida prejudicava (e matava) as muito necessárias e beneficientes abelhas.
Hoje em dia o falso e interesseiro coexistem facilmente com a verdade e a inocência. A roupa é a mesma. Até a gama de cores é parecida.
A única coisa que importa é que a Primavera está ser morta à medida que nasce. É um acto químico de censura.
Mataram a primavera.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

PAIXÃO GEOMÉTRICA

GEOMETRIA AMOROSA
 

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E falando descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos
Viciosos.
Ofereceu, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema, ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade.
Como aliás, em qualquer
Sociedade.


Autor desconhecido, mas admirável.