terça-feira, 30 de outubro de 2018

O QUE É UMA PUTARIA

domingo, 28 de outubro de 2018

ALEXANDRE HAVART

Alexandre Havard, fundador do Virtuous Leadership Institute


«A Rússia e o Vaticano estão cada vez mais isolados»

Francês de nascença, russo de sangue, Alexandre Havard trabalha com administradores de empresas, forças armadas e universidades espalhadas pelo mundo. A’O CLARIM falou do conceito de liderança virtuosa, do ressurgimento da Rússia na esfera mundial – colocando-a ao lado dos Estados Unidos – de Cristianismo, do movimento LGBT, do Médio Oriente, da Ucrânia e de Vladimir Putin. Uma conversa franca, em território russo, inimaginável há duas décadas.

O CLARIMCriou o Virtuous Leadership Institute em resultado de uma experiência de vida. Fale-nos um pouco de si e da organização a que preside?

Alexandre Havard – Sou advogado de formação. Nasci e estudei em Paris, onde exerci advocacia durante alguns anos. Também trabalhei em Estrasburgo e na Finlândia. Vivi 18 anos em Helsínquia, onde descobri que seria mais útil se fizesse qualquer outra coisa para além da advocacia. O Virtuous Leadership Institute nasceu entre os meus alunos. Eu leccionava História da Integração Europeia, na Universidade em Helsínquia. Nas aulas falava nos grandes fundadores da União Europeia: Gasperi, Adenauer, Schuman e Monnet. Os meus alunos ficavam fascinados por estas personalidades e pediam-me que falasse sobre estes assuntos e não sobre legislação da União Europeia; que falasse sobre seres humanos e não sobre coisas. Descobri que, de facto, a Universidade não estava a educar as pessoas. Estava a formá-las, mas não a educá-las. “Education”, “educare”, “educere” é trazer ao de cima as grandes qualidades das pessoas. Não é implantar modelos pré-concebidos em pequenos cérebros. Desisti da advocacia e dediquei-me ao ensino da liderança virtuosa. Não se trata de ensinar técnicas de liderança, de como manipular as pessoas, de como ser bem sucedido. Queria antes mostrar às pessoas o que é a liderança virtuosa. Tem como base a virtude, o carácter, a magnanimidade e a humildade. Magnanimidade enquanto grandeza e humildade enquanto serviço. A ideia era demonstrar que a liderança tem como objectivo alcançar a magnanimidade trazendo ao de cima a grandeza que há dentro de nós. Não tem a ver com sucesso. Escrevi vários livros, traduzidos em quinze línguas, incluindo o Chinês, e comecei a ensinar por todo o mundo – nos Estados Unidos, na Europa, na China, em África. Conheci muitas pessoas que ficaram fascinadas com o conceito de liderança virtuosa e se ofereceram para trabalhar comigo. Estas pessoas criaram estruturas em Washington, Paris, Moscovo, Xangai e Nairobi.
CLQual o objectivo?
A.H. – Diz a Igreja Católica que se praticarmos as quatro virtudes cardeais (prudência, coragem, auto-controle e justiça) somos boas pessoas. Acontece que a maioria dos cristãos não tem ideia do que é a magnanimidade – a virtude da grandeza – considerando que basta apenas cumprir as quatro virtudes cardeais. Ora, a liderança deve ser um sonho na nossa vida, um sentido de missão, um desejo de multiplicarmos os nossos talentos e de actuarmos. No final de cada dia o meu instituto ajuda muitos cristãos a entenderem que não basta ser bom; temos de ser excelentes, magnânimos. Não esperarmos pelo Salvador – esse já veio há mais de dois mil anos. O pensamento é: “Eu tenho de ser aquele que vai mudar a humanidade, agora!” Temos talentos e temos que estar a par dos nossos talentos. Temos de agradecer a Deus pelos nossos talentos, pelo que devemos utilizá-los. Tem a ver com a dignidade e a criatividade de cada um. Ensino aos meus alunos como desenvolver as virtudes da grandeza e da humildade. Tem sido uma enorme descoberta para mim e para muitas pessoas. Fomos criados para a grandeza, não para a mediocridade. Muitas pessoas são exemplo de grandeza, devemos aprender com elas. O mundo nunca mudará se tivermos uma visão fraca da humildade, se tivermos uma mente pequena. A humildade deve estar ligada à magnanimidade. Tanto cristãos, como não cristãos, entendem a nossa mensagem. Todos as pessoas querem ser grandiosas. Os crentes entendem muito bem que devem ser magnânimos, devem actuar e transformar o mundo ao serviço de Deus. Os não crentes começam a compreender que estes dons são uma dádiva de Deus, pelo que devem procurar Deus, se não começam a dar em malucos e colapsam. Em termos gerais, os cristãos precisam de mais grandeza e os não crentes de mais humildade.
CLQue tipo de pessoas procura o instituto?
A.H. – Há tipos diferentes de pessoas. Há os executivos de grandes empresas que procuram alcançar a excelência. Quando são novos procuram ter uma carreira e alcançar o sucesso. Depois de atingiram os objectivos começam a pensar neles próprios e no sentido das suas vidas. Sou convidado por eles para ir às empresas, para falar com os membros dos conselhos de administração. Também sou procurado por militares. No ano passado estive nos Estados Unidos a convite das escolas de guerra do Exército e da Marinha, onde se formam os oficiais dos respectivos ramos. Para além de militares de topo, também trabalho com docentes de ensino. Somos líderes quando educamos. Se não educarmos não somos líderes. Educar é trazer ao de cima o melhor que há dentro dos outros. Se formos o patrão de uma empresa, mas não soubermos ensinar, não sabemos ser líderes. A grande maioria dos meus interlocutores são estudantes. Passo oitenta por cento do meu tempo a trabalhar com estudantes do Ensino Superior. Foram os estudantes que me conduziram a este modo de vida e estou-lhes grato. Todas as semanas organizo palestras para eles. Criei aqui em Moscovo um instituto juntamente com vinte alunos. Serão eles que no futuro irão continuar este projecto e difundir o conceito de liderança virtuosa por toda a Rússia. Gostaria que se espalhasse por todo o mundo. Há universidades nos Estados Unidos que colaboram connosco, onde há inclusivamente um mestrado dedicado à liderança virtuosa. Na China já estamos há dois anos, com algum sucesso. Há empresas chinesas que nos procuram e mostram-se satisfeitas com os progressos alcançados.
CLA presença ou ausência de liderança em cada um de nós pode explicar o sucesso ou fracasso dos sistemas políticos, económicos e sociais?
A.H. – Chego à conclusão que muitas pessoas não acreditam em Jesus, porque não acreditam no Homem. Muitas pessoas são pequenas porque misturam o Individualismo com o Socialismo. O Socialismo diz-nos que não somos ninguém. O todo é alguma coisa, mas nós, enquanto seres únicos, não somos nada. O Socialismo fala da Sociedade, não há lugar para o indivíduo. O Individualismo diz-nos precisamente o contrário: não precisamos de servir os outros, somos grandes, não precisamos da Sociedade. “Eu, eu e só eu”. No Individualismo não há substância – eu como Deus, sem sentido de dignidade pessoal.
CLActualmente alguns CEO de grandes multinacionais são filhos de emigrantes ou provenientes de países terceiros, sem qualquer ligação aos países-sede dessas empresas. Pode isto significar que o poder está a ser transferido dos denominados países do centro para as periferias?
A.H. – O contacto com diferentes culturas dá-nos uma visão ampla do mundo. Pessoas que se movem de Este para Oeste e vice-versa tornam-se culturalmente superiores, pois conhecem diferentes tipos de cultura e conseguem resolver os problemas com mais sabedoria. Um europeu que só conhece a Europa, ou um americano que só conhece a América, tem uma visão mais limitada. É por isso que muitos enviam os filhos para a Rússia ou para a Ásia, para verem que há diferenças entre os diferentes blocos. Não me surpreende, pois, que as grandes companhias coloquem os seus CEO em contacto com diferentes culturas, pois têm que lidar com pessoas de todas as partes do mundo. No entanto, não considero que tenha tanto a ver com liderança, mas mais com capacidade de gestão. A liderança é espiritual. Uma pessoa pode conhecer muitas culturas, mas continuar pequena se não for magnânime, se não sonhar, se não procurar transformar o outro, se só pensar em ganhar dinheiro.
CLNum mundo cada vez mais global parecem existir duas realidades: a das pessoas e a dos políticos. Enquanto nós, cidadãos comuns, procuramos unificar o mundo, os políticos erguem muros, aprofundando o fosso entre Norte e Sul, entre Este e Oeste. Como olha a actual dicotomia Estados Unidos/União Europeia – China/Rússia?
A.H. – É verdade! Quando estou junto dos mais novos reparo que as suas vidas não são muito diferentes da vida de um francês ou de um chinês. Têm os mesmos iPhones, os mesmos smartphones, os mesmos iPads, não vêem televisão, ouvem o mesmo tipo de música. Existe de facto uma cultura global muito alicerçada nos Estados Unidos, que impuseram ao mundo um tipo de cultura espiritualmente muito pobre. Uma cultura baseada no sucesso e no dinheiro a curto prazo. Não tem como missão espraiar a espiritualidade e os valores do Cristianismo, mas que é muito eficiente e, por isso, muito poderosa. No caso da Rússia, por exemplo, depois do colapso do Marxismo os Estados Unidos ocuparam um lugar que ficou vago. Acontece que no final dos anos 90 já os russos andavam muito desiludidos. O Marxismo tinha caído e impusera-se o Liberalismo – o dinheiro haveria de resolver todos os problemas. Tivemos aquilo a que chamamos “terapia de choque” (dos tipos de Harvard), com a introdução do Capitalismo Individualista, como se tal pudesse substituir 70 anos de Comunismo de um dia para o outro… Em 2000 Boris Yeltsin chorou e pediu perdão ao povo russo por ter falhado. Sugeriu que votassem em Vladimir Putin, que assumiu o poder com uma visão totalmente diferente do seu antecessor. Yeltsin considerava que o Comunismo era tão mau, tão mau, que o Liberalismo só podia ser melhor. Depois de dez anos no Poder percebeu que o Liberalismo não é a solução para a Rússia. O Comunismo e o Liberalismo têm a mesma visão do Ser Humano, que é reduzi-lo à insignificância. Putin foi educado nas fileiras do KGB, tinha outra visão. Percebeu que a estrutura da Rússia tinha colapsado… e que o País tinha a bomba atómica. O Papa João Paulo II apercebeu-se do problema e assustou-se. Putin reabilitou o Estado russo, destruiu a Máfia, combateu a corrupção – ainda há muita mas vem diminuindo de ano para ano – e revelou qual a visão que tem para o mundo, na qual os Estados Unidos não podem ser os únicos a ditar as regras na esfera internacional. Hoje no Médio Oriente a Rússia tem uma palavra a dizer, apoiando o Governo sírio no combate ao Estado Islâmico, que luta com armas fornecidas pelos Estados Unidos, o que fez reavivar o orgulho da nação russa.
CLTalvez a solução passe pela Rússia encontrar os seus próprios modelos, à semelhança do que tem feito a China…
A.H. – A Rússia de hoje promove determinados valores, como a Tradição, a Igreja e a Família. Não matamos ninguém do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero), mas também não permitimos que façam propaganda nas escolas junto dos mais novos. Não prendemos por prender. As “Pussy Riot” só foram presas porque entraram numa igreja e atentaram contra a ordem pública. A Administração Obama e os Estados europeus estão de mãos dadas com o movimento LGBT e por isso odeiam a Rússia. O mais curioso é que os actuais líderes europeus são quase todos ex-marxistas, ex-maoístas ou ex-trotskistas. Nos anos 70 e 80 amavam a União Soviética e agora detestam a Rússia. As mesmas pessoas que hoje escrevem coisas horríveis sobre a Rússia são as mesmas que escreviam coisas bonitas sobre a União Soviética. O mundo mudou. Depois do Comunismo na União Soviética o mal passou, muito provavelmente, para os Estados Unidos. A Virgem Maria triunfou no nosso país. Nós que estudámos na Europa adorávamos os Estados Unidos, a sua estratégia, o seu poder, mas quando o Comunismo acabou revelou-se que afinal os Estados Unidos não queriam destruir o Comunismo, queriam destruir a Rússia, porque a Rússia é um adversário. Ronald Reagan, um cristão, odiava o Comunismo, mas adorava os russos. Depois dele, quem veio a seguir – especialmente os Bush – odeia a Rússia. Para eles a Rússia é o Diabo. Muitas pessoas da Administração Obama odeiam a Rússia, porque esta tem outra visão que eles não entendem nem aceitam. Os Estados Unidos querem espalhar a Democracia por todo o mundo, nos Estados islâmicos, na Ásia, e os russos são um obstáculo porque pensam de outra maneira. Deus quer que a Rússia e a Ásia pensem de outra maneira e isso é bom. A China e a Rússia não querem que haja um pensamento global para sempre. Enquanto os Estados Unidos e a Europa vão caindo em termos espirituais, a Rússia eleva-se. A Europa vai no sentido contrário ao Cristianismo, em direcção ao Paganismo; vem negando as raízes do Cristianismo e dos valores por detrás da construção europeia. Por sua vez, a Rússia está a sair do túnel do Comunismo em direcção ao Cristianismo. A questão não é onde estamos, mas para onde vamos. O Ocidente detesta a Igreja, a Família, promove o puro individualismo e o movimento LGBT em nome da liberdade.
CLNos poucos dias que estou em Moscovo pude-me aperceber que a cidade é muito limpa, organizada e segura. As pessoas trabalham, as famílias são unidas e os fiéis frequentam a Igreja. Como se consegue isto nos dias de hoje?
A.H. – É verdade mas não se esqueça que está em Moscovo, na capital. Se for para fora, para o interior, há alguma pobreza e muita gente a consumir álcool. O alcoolismo é o nosso maior problema. O povo russo procura cumprir as regras. O temperamento dos russos é diferente, são muito introvertidos, embora bastante sociáveis. Talvez por isso tenhamos muitos pintores, músicos e escritores. É isso que muitos estrangeiros gostam na Rússia, da sua seriedade e profundidade. Ao princípio não gostam de vir para a Rússia, mas passado um ano já não querem sair. Aqui não há superficialidade, as pessoas gostam de falar de coisas sérias, seja onde for.
CLDe acordo com a lei, a Rússia é um país secular, mas se olharmos para algumas notas de Rublo vemos representadas catedrais. A Ortodoxia é, na prática, a religião do Estado?
A.H – Não temos qualquer preconceito em relação ao Cristianismo, ao contrário do que acontece no Ocidente, onde as pessoas não falam sobre a sua fé. Na Rússia a Igreja é considerada como algo positivo. A Igreja foi destruída pelo Comunismo. Havia 400 bispos e sobraram apenas três. Sentimos o fim da Civilização. É uma era que já terminou e os russos querem viver uma vida normal e o Cristianismo faz parte das suas vidas.
CLA Europa enfrenta uma onda de refugiados que traz consigo outra cultura e religião. O Presidente Putin quer resolver o problema, exterminando o Estado Islâmicos e outros grupos terroristas, mas tem deparado com alguns entraves colocados pelos Estados Unidos e seus aliados. Como analisa esta situação?
A.H – O que diz é verdade. A geopolítica dos Estados Unidos para o Médio Oriente é totalmente criminosa. São mortos anualmente cem mil cristãos no Médio Oriente devido à sua acção. Há um “complot” internacional para matar os cristãos. A razão para não deixaram a Rússia resolver o problema é porque são anti-cristãos. Pergunte a opinião das pessoas e dos bispos que ainda lá estão e elas dizem-lhe o que pensam sobre a Rússia. Os Estados Unidos estão a destruir e a torturar esta gente. No Governo dos Estados Unidos ou são malucos ou simplesmente criminosos. Bashar al-Assad está a ser perseguido apenas porque não quis cumprir as regras que lhe foram impostas. Os países têm o direito de não quererem ser marionetas dos Estados Unidos. Espero que a Rússia seja bem sucedida, pois temos cerca de vinte milhões de muçulmanos dentro do nosso território. Imagine que os muçulmanos extremistas, do lado de lá da fronteira, faziam chegar armas às nossas comunidades, acompanhadas por discursos de ódio… Os muçulmanos russos não são extremistas, mas podem ser fanatizados. Se não fizermos nada agora, podemos vir a sofrer as consequências.
CLOuvimos falar muito sobre o conflito na Ucrânia. Sendo russo, pode partilhar a sua visão?
A.H. – A situação na Ucrânia foi provocada de forma totalmente artificial pela NATO, por razões meramente geopolíticas. Quando o Comunismo acabou a NATO disse a Mikhail Gorbachev que não iria expandir para Leste. A partir do momento em que o Pacto de Varsóvia terminou, a NATO também deveria ter deixado de existir. A NATO foi formada para combater a União Soviética e não para combater a Rússia. Com Bush tudo se alterou. A NATO ganhou força e procuraram conquistar culturalmente a Rússia e o resto do mundo. A NATO entrou na Polónia, nos Balcãs e começou a expandir-se para a Ucrânia. Acontece que a Rússia sempre disse que a Ucrânia deveria ficar de fora das intenções da NATO, uma vez que nós, russos, também somos ucranianos. Todos os russos têm raízes ucranianas. Todos nós nascemos na Ucrânia. Só no século XIII é que os ucranianos partiram, da zona de Kiev, para Nordeste. O Governo americano, em conjunto com o movimento LGBT, tem como missão declarar guerra à Rússia, à nossa tradição e conservadorismo. O Papa Francisco está muito bem ciente desta realidade e não parece nada satisfeito com o facto dos Estados Unidos lhe dizerem como deve lidar com o Presidente Putin. O Vaticano tem mais de dois mil anos de história diplomática, não precisa que seja o Governo dos Estados Unidos a dizer como se deve comportar.
CLConsidera ser possível uma visita do Papa Francisco à Rússia, a curto ou médio prazo?
A.H. – Claro que sim, é muito possível, até porque a Rússia e o Vaticano estão cada vez mais isolados. Um dia irão chegar a um entendimento. A Rússia é o único país com poder que defende os valores do Cristianismo de forma oficial, enquanto os Estados Unidos os destroem. Há notícias que apontam para um encontro entre o Papa e o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, já no próximo ano, talvez na Finlândia.
CLEstará o mundo a precisar de mais líderes virtuosos?
A.H. – O mundo tem muitos líderes virtuosos, mas infelizmente não estão no Poder. No caso da Rússia temos de produzir líderes virtuosos entre os mais jovens. Dentro de uma década esse objectivo será concretizado. Já o Ocidente tem muitos líderes virtuosos em todas as áreas, mas quando falecerem não haverá quem os substitua. As ideias liberais e o movimento LGBT têm contribuído para a destruição dos valores do Cristianismo, sem os quais não há líderes virtuosos. Ainda assim a situação será mais dramática na Europa do que nos Estados Unidos, pois estes ainda têm uma larga franja da população que é cristã e luta pelos seus ideais.
CLA verdade é que os novos líderes que aparecem na Rússia vão sendo abafados por Putin…
A.H. – Quando o Presidente Putin foi eleito, por larga maioria, podia fazer o que bem entendesse – um pouco ao jeito do General De Gaulle em França, nos anos 60. Sempre que há eleições aparecem partidos e candidatos ligados ao Liberalismo e ao movimento LGBT – mais liberdade e menos Cristianismo. Os russos não querem este modelo. Se as eleições fossem amanhã Putin seria reeleito com setenta por cento dos votos. É uma personalidade muito atraente. É muito inteligente, muito esperto, tem um pensamento muito rápido, não é marioneta de ninguém. Por vezes os jornalistas ficam desarmados com as respostas que dá, pois conhece muito bem os dossiês. Não é como o Presidente de França, o senhor Hollande, que é ridículo, uma marioneta. Não sabe falar, não sabe o que quer. O Presidente Putin sabe o que quer e quando quer. Quando é preciso zanga-se e mostra que está zangado. Não é como no Ocidente em que está sempre tudo bem. Depois é um desportista, foi campeão de judo em São Petersburgo quando era novo. É disciplinado, não se deixa engordar como os líderes do Ocidente. Claro que isso fragiliza os adversários. Quem poderá gostar do senhor Hollande com aquele aspecto? Um Presidente tem de ser activo e não um boneco como acontece no Ocidente. Tem de haver modelos que sirvam de referência para a população em geral e para os mais novos em particular. Quando conseguirmos vencer a corrupção a Rússia vai voar bem alto.
José Miguel Encarnação
em Moscovo (Rússia)

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terça-feira, 23 de outubro de 2018

VOLTAIRE DISSE:

JOÃO MIUGUEL TAVARES OPINA


Esta terça-feira de manhã, a biografia da candidata à liderança da JS acabou por ser alterada, já depois de Maria Begonha ter sido informada, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa, do pedido do PÚBLICO para aceder à sua informação académica. Ainda assim, o ano de nascimento manteve-se errado no site. Maria Begonha tinha na biografia 1990 como o ano do seu nascimento, apesar de ter nascido a 21 de Janeiro de 1989.

O Congresso Nacional da Juventude Socialista realiza-se entre 14 e 16 de Dezembro, pouco mais de um mês antes de Maria Begonha fazer os 30 anos, o limite máximo para militar na JS. Na reunião plenária da ‘jota’ vai ser escolhido o sucessor de Ivan Gonçalves na liderança da estrutura.
Contactada pelo PÚBLICO, a candidata à liderança da Juventude Socialista atendeu o telefone, mas desligou logo de seguida ao saber o motivo da chamada. Mais tarde disse “não ser a responsável pelo site”, mas sim o director de campanha, Tiago Estêvão Martins. Maria Begonha admitiu ter enviado a informação biográfica corretamente e encaminhou mais respostas para o director de campanha.

sábado, 20 de outubro de 2018

ARTIGO DE JACQUES AMAURY


ARTIGO DE JACQUES AMAURY,
SOCIÓLOGO E FILÓSOFO FRANCÊS, ACERCA DE PORTUGAL
Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na
Universidade de Estrasburgo.
"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá
que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e
consequentes convulsões sociais.
Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má
aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e
adaptação às exigências da união.
Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito
retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na
qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades
primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de
futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas,
fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a
empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a
agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem
as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a
próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes
superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça,
frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no
que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes
negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente
persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.
A política lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos
penetram, já que os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam
essencialmente como agências de emprego que admitem os mais
corruptos e incapazes, permitindo que com as alterações governativas
permaneçam, transformando-se num enorme peso bruto e parasitário.
Assim, a monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores,
assessoradas por sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas
dispendiosas e caducas, tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso
nos problemas do país.
Não existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica,
entre o PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de
direita, agora mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder,
que tem um suporte estratégico no PR e no tecido empresarial abastado.
Mais à direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas
com telhados de vidro e linguagem pública, diametralmente oposta ao que os
seus princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade.
À esquerda, o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior,
mas igualmente com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações
ao Governo, que manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a
população em geral, laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à
esquerda, o PC (Partido comunista) menosprezado pela comunicação
social, que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão
inspirada na União Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das
realidades actuais.
Assim, não se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a
democracia pré-fabricada não encontra novos instrumentos.
Contudo, na génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação,
ou melhor, a ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse
fulcral e determinante aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no
secundário e nas faculdades, não tem capacidade de decisão, a não
ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de Comunicação. Ora e aqui está o
grande problema deste pequeno país; as TVs as Rádios e os Jornais, são
na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta finança, à
industria e comercio, à banca e com infiltrações accionistas de vários
países.
Ora, é bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma
alimentação saudável, mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda.
Daí a estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre
ricos e pobres.
A RTP, a estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada
por elementos dos dois partidos principais, com notório assento dos
sociais-democratas, especialistas em silenciar posições esclarecedoras e
calar quem levanta o mínimo problema ou dúvida. A selecção dos
gestores, dos directores e dos principais jornalistas é feita
exclusivamente por via partidária. Os jovens jornalistas, são
condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos contratos a
prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o afastamento
dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo a pôr
em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.
Não há um único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por
isso, "non gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas
ideias e à realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano
que apenas deixa ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas
recomendáveis para a manutenção da sensação de liberdade e da prática
da apregoada democracia.
Só uma comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a
fugir da banca, o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais
célere e justa, umas finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar
consciência e lucidez sobre os seus desígnios.